terça-feira, 10 de julho de 2012

Ano 2052: UM OLHAR DO FUTURO


(Brincando com seu computador, meu amigo J.L. – ele insiste que eu não diga seu nome - por um acaso encontrou um programa que o possibilitou um acesso a um arquivo do tempo futuro, mais precisamente a uma série de documentos digitados nos anos 2050.

Infelizmente ele não percebeu exatamente o que ele fez, e agora ele não encontra novamente o caminho para chegar ao tal valoroso documento. Mas tive uma sorte grande porque tendo visto que o texto era sobre comunicação lingüística, ele teve a idéia de imprimi-lo porque ele sabe que tenho grande interesse sobre o assunto. Eis o texto...).



SENHORES JURADOS,

            Vocês ouviram os depoimentos. Não resumirei as provas dos fatos porque seria perda de tempo. Elas são mais do que eloqüentes. Mas quero alertá-los sobre um ponto, ou seja, como que freqüentemente as testemunhas usaram a expressão “como se”: “eles agiram como se não houvesse alternativa”, “como se não houvessem fatos possíveis de serem controlados”, “como se nossa proposta fosse ridícula”,  “como se a língua concernente não existisse”, etc... etc... O retorno a esta palavra, enfatiza, como persistentemente os acusados negligenciaram a realidade. Eles supostamente pertencem  a uma elite política, econômica, cultural, universitária ou social do mundo; eles tinham cargos de grande prestígio e responsabilidade; as decisões deles influíram na vida de todos os habitantes do planeta, entretanto eles agiram sem sentimento de responsabilidade, como se fossem alunos do jardim de infância. E agora – vocês os ouviram – eles podem se defender dizendo: “Nós  não sabíamos”, “Nós  não podíamos imaginar que era assim”.

            Como era possível este desconhecimento? Será que eles nunca viram viajantes em situações desagradáveis por não poderem se comunicar com os habitantes locais? Será que eles não notaram que o investimento de nossa comunidade mundial no ensino de línguas era gigante, mas os resultados miseráveis? Quando eles participavam de reuniões internacionais eles não tinham consciência que intérpretes estavam nos guinches, que a voz ouvida não era a do orador, que o uso simultâneo de tantas línguas necessariamente custava muitíssimo? Será que eles não sabiam que por todo o mundo milhões e milhões de crianças estressam seus cérebros tentando dominar a língua inglesa, a qual se mostra tão esquiva, que em média, após 7 anos de aprendizado com quatro horas por semana, de cada 100 alunos, apenas um é capaz de eficientemente usá-la? Será que eles não leram nos jornais sobre os aviões que sofreram acidente  pela não comunicação lingüística entre a torre de comando e o piloto?. Alguns deles têm o inglês como língua materna. Será que eles nunca se sentiram superiores em relação aos estrangeiros com os quais eles falavam, e será que eles nunca se perguntaram se isto era normal e justo? Outros não tinham o inglês como língua materna. Será que estes nunca se sentiram inferiores aos seus colegas de língua inglesa? Será que estes nunca sentiam aborrecidos numa discussão, porque as palavras necessárias não lhes vinham na memória, enquanto que os outros podiam explorar todas as riquezas de sua língua materna? Como é possível viver em nossa sociedade e não perceber que o problema lingüistico existe?



INDIFERENÇA ESCANDALOSA

Vamos supor algo impossível e imagine que eles conseguiram viver uma vida internacional, nunca reconhecendo os aspectos negativos da realidade lingüistica. Em seus níveis na sociedade, será que eles poderiam competentemente ter responsabilidades em escala mundial, não sabendo como a comunicação funciona? Era o dever deles saber, ainda mais porque eles  tinham o dinheiro e os empregados para coletar informações, para organizar pesquisas, se necessário. O motivo pelo qual eles não sabiam é que o tema não os interessava. E isto não os interessava por falta de compaixão: eles não eram capazes de fremir com o sofrimento; cumplicidade com o semelhante não havia neles. Com uma indiferença escandalosa eles ignoravam a sorte de milhares de refugiados   e trabalhadores estrangeiros , onde  a incapacidade de se entenderem, pela falta de uma língua comum, era a fonte de injustiça e miséria psicológica, e até de morte. Vocês ouviram as testemunhas.                Não vai ser fácil esquecer o caso do hospital alemão, onde 50 por cento dos pacientes morreram após enxerto, apenas porque, por falta de uma língua comum com os empregados do hospital e enfermeiros, eles não entenderam as instruções dadas para eles. Estas realidades, nossas “elites” ignoraram. Se a polícia tratou injustamente um estrangeiro porque este não conseguia fazer se entender, isto não incomodou a elite. Se o diretor de uma pequena empresa não conseguiu receber para a sua companhia um contrato importante porque o seu nível de inglês não era adequado para o tratado, por que isto as perturbaria? Se o dinheiro muito importante para toda as espécies de objetivos sociais foi abundantemente jogado no abismo profundo da comunicação lingüística burocrática, sobre isto eles assobiaram. E no entanto! Será que não era uma de suas responsabilidades escolher humanamente, o que fazer com o dinheiro recebido dos cidadãos?

            Pegarei apenas um exemplo, entre os muitos dos quais poderia citar. Enquanto os acusados tiveram o poder , muitas crianças africanas morreram de desidratação: esta falta de água no organismo foi tão estrema que as crianças não podiam produzir lágrimas quando elas deviam chorar. Curar uma criança custava apenas 5 centavos de dólar. Mas não foi possível  encontrar dinheiro para salvar crianças que foram lançadas neste horror. Não é estranho que ao mesmo tempo, a União Européia diariamente gastava  milhões de dólares para traduzir a carga diária de 3 milhões de palavras?

Quando os acusados foram informados sobre as tragédias diárias , por exemplo sobre a fome mundial, com uma compaixão aparente, eles balançaram a cabeça a se lamentarem sobre a falta de dinheiro, mas fizeram isto sem sentir algo errado nestas organizações que traduzem milhões de palavras ao custo de 2 dólares por palavra. Que elite é esta? Será que não é evidente até mesmo para uma pessoa simples que aquilo que se gasta com um objetivo não é disponível para outro? E que, como resultado, definir prioridades convenientes é o dever moral mais sério?

Apesar disto, em todas as organizações internacionais, e delas existem muitas, eles nunca exitaram em atribuir gigantesca  quantidade de dinheiro aos serviços lingüisticos. Aliás, nunca veio na cabeça deles a idéia  de efetivar estudos objetivos sobre quanto os multifacetários problemas lingüisticos custam para a sociedade mundial e quais as maneiras de resolvê-los. A sociedade poderia ser lingüisticamente melhor organizada? Eis uma pergunta que eles nunca fizeram para si. “Nós fizemos aquilo que era possível. Não havia outra solução”, eles afirmam.



SOLUÇÃO EXISTIA HÁ TEMPOS

            Será verdade que não existia outra solução? Mas o Esperanto existia! Ele já era usado há um século. Para aqueles que mostrara-se suficientemente sábios para apropriá-lo, ele proporcionou comunicação admirável sem obrigar a investir nem mesmo um vintém em serviços lingüísticos, sem discriminação entre os povos e após um investimento de tempo e dedicação moderados (já era sabido que 6 meses de Esperanto conduzia a um nível de comunicação  igual ao que se gasta para seis anos de inglês). Mas para os distintos membros de nossa “elite”, esta alternativa, esta maneira de resolver o problema lingüistico com uma relação custo-benefício mais favorável, simplesmente não existia. Quando alguém chamava a atenção sobre  ele - e isto acontecia com freqüência; as provas estão em vosso processo – eles sistematicamente impunham uma série de argumentos, sempre os mesmos, sempre excludentes, nunca tendo controlado tal validade.

            “O Esperanto não funciona”, eles diziam, enquanto que era fácil participar de uma reunião internacional ou um Congresso em Esperanto para descobrir que este instrumento de comunicação lingüistica funciona melhor que qualquer outro sistema rival, seja o inglês, seja a tradução simultânea, ou outro qualquer.

“Ele é artificial”, eles diziam, se recusando a, quando convidados, verem crianças brincando e rindo em Esperanto com uma tal espontaneidade de expressão, que a afirmação deles se revelaria logo preconceituosa, e não achando  estranho o fato de se falar em microfones e escutar por fones de ouvido a voz de um outro, que não o   falante que, (vocês reconhecerão)  não se impõe como uma maneira natural de se comunicar.

“Ele não tem cultura”, eles afirmavam, nunca tendo lido uma linha de um poema em Esperanto, não sabendo nada sobre o desenvolvimento do teatro em Esperanto,  ou literatura, nunca tendo ouvido uma palestra nesta língua.

            “O Esperanto é rígido e pobre de expressão”, eles repetiam, nunca tendo o submetido a uma análise lingüistica, o que os obrigaria a concluir que ele é mais flexível e rico em expressões, graças a plena liberdade de combinar elementos do que muitas línguas de prestígio.

“Ele não é uma língua viva”, eles argumentavam não sabendo nada sobre a comunidade  que diariamente o usa, e nunca se perguntando, quais são  os critérios de vida lingüística, e se o Esperanto responde a eles ou não.

“Seria lamentável se os povos tivessem que abrir mão de suas próprias línguas para apropriar um novo como este” eles diziam, não se interessando pelo fato que o Esperanto nunca teve como objetivo substituir as outras línguas, mas era simplesmente um recurso prático  de superar a barreira lingüistica, assim como o latim na Europa da Idade Média, e ignorando as informações sobre mortes de línguas (morria uma língua a cada semana nos anos 2000) causadas pela destruição eficiente de algumas assim chamadas “grandes” línguas, principalmente a língua inglesa, a qual muitos socio-lingüistas chamavam de “língua assassina”.



FELIZMENTE OCORREU UMA REVOLUÇÃO LINGÜÍSTICA

         

            Não haveria sentido insistir sobre estes preconceitos. Vocês sabem o quanto eles valem. 25 anos depois que os cidadãos  se rebelaram e a revolução lingüistica ocorreu, vocês estão vendo quanto o mundo evoluiu para uma melhor condição de vida. Vocês agora podem viajar pelo mundo sem se deparar com o problema de comunicação. As organizações internacionais não devem mais enfrentar os custos astronômicos de seus serviços lingüisticos, de maneira que gigantescos recursos financeiros ficaram disponíveis para projetos sérios e substanciais. Jovens de todos os lugares do mundo, depois do exame do curso básico de Esperanto estudam outras  línguas escolhidas pelos seus próprios gostos ou interesses, o que acelera a diversidade de pensamento de toda nossa sociedade (fator de fecundação de idéias), ao mesmo tempo favorecendo uma compreensão autêntica e recíproca.

            Os muitos efeitos negativos do monopólio do idioma inglês sobre a vida cultural de muitos povos ( na maioria das escolas do mundo era praticamente impossível estudar outras línguas estrangeiras) cada vez mais desaparecem. Refugiados e trabalhadores estrangeiros agora são entendidos, para onde quer que eles vão. Especialistas participantes de discussões internacionais são escolhidos por suas competências, e não mais pelas suas capacidades de usarem o inglês, que excluía muitos, porque como vocês sabem, muitas pessoas talentosas em matemática e tecnologia, só com muito esforço conseguem aprender outras línguas.

            Na Inglaterra, EUA, e outros países de língua inglesa, estudantes descobrem culturas estrangeiras sob um novo ponto de vista, e o dever de aprender um novo idioma rigoroso, mas fácil e psicologicamente mais aceitável, tem um efeito positivo para uma abertura para o mundo e para seus desenvolvimentos culturais e intelectuais. Na Índia, o conflito entre as partes, de um lado os favoráveis ao inglês e de outro lado do hindi parou de existir, e mesma sorte tiveram os conflitos lingüisticos na Bélgica, República dos Camarões, Nigéria e muitos outros países.

            Na verdade, a humanidade deve muitíssimo àqueles que fizeram pressão aos países, para que estes organizassem cursos de Esperanto pelo mundo todo. Mas devemos um agradecimento especial aos secretários de governo que insistentemente se esforçaram  para que vigorasse a primeira Declaração, que oficialmente restabeleceu a verdade sobre o Esperanto. Por causa dela,  nossa língua internacional, pela primeira vez foi vista segundo uma perspectiva justa. Quando o público tomou conhecimento que durante décadas  foi enganado, a língua começou a fazer sucesso, por isto ela rapidamente foi divulgada até mesmo antes que seu ensino geral fosse organizado.



GRAVE RESPONSABILIDADE



            Se achei útil citar algumas enormes vantagens, que agora todos nós gozamos pela mudança de atitude em relação ao Esperanto, meu objetivo é acentuar a responsabilidade dos acusados pelo fato que esta mudança ocorreu tão tarde. Já em 1920 a Liga das Nações realizou uma pesquisa objetiva sobre o tema e recomendou aos Estados-membros em todo o mundo organizarem o ensino do Esperanto, para que ele se tornasse a Segunda língua de todos. A Liga percebeu isto como a melhor maneira para que se tivesse efetivado uma comunicação igualitária e  internacional, que garantisse ao mesmo tempo a sobrevivência e prosperidade de todas as línguas e culturas. Mas eles ignoraram a recomendação da Liga. As boas qualidades do Esperanto sempre foram visíveis a qualquer um que fosse intelectualmente honesto e de interesse claro.

            Já nos anos 1930, a literatura em Esperanto e o uso da língua em encontros internacionais estava tão desenvolvido, que negar seu valor cultural e humano era possível apenas  se resignasse a própria honestidade ou o dever de ser objetivo. Então, durante décadas, a “elite” se absteve. Quando alguém fazia uma proposta com o objetivo de acelerar o uso do Esperanto, os membros desta assim chamada elite reagia de maneira totalmente contrária e sem basear suas respostas em considerações objetivas. Nunca eles tinham a idéia que eles deveriam provar suas afirmações. Que o Esperanto valia nada, isto eles consideravam evidente. Eis porque eles são dignos de serem condenados. Este processo deve ser útil como exemplo para mostrar ao povo do mundo, que a falta de um sistema democrático, a eliminação da objetividade, a recusa de controlar os fatos, a decisão de rejeitar uma proposta antes de estudá-la, a indiferença  diante do sofrimento e a negligência com referência às prioridades baseadas em considerações éticas não podem ficar na impunidade.

            A sociedade tem direitos. O direito à comunicação é um direito que a gente deve respeitar seriamente, assim como o direito à um tratamento igualitário. Quando os acusados dominavam a vida social, eles manipularam a opinião pública de uma maneira sutil, impondo nas mentes das pessoas uma série de equívocos, que em grande parte contribuíram para que a língua internacional neutra Esperanto tenha sido introduzida na sociedade de uma maneira tardia.

            À todos vocês atualmente, é evidente que pessoas colocadas em situação de inferioridade, porque elas não podiam se exprimir numa língua estrangeira, eram vítimas de um sistema de comunicação mundial. Mas a assim chamada elite obrigava a olhar estas pessoas como culpadas. Culpadas pela tendência de não estudarem, por preguiça ou inferioridade cerebral. “ Se eles não são capazes de se comunicarem, os culpados são eles mesmos: era obrigação deles estudarem línguas”, eles insinuavam, nunca perguntando a si próprios se dominar uma outra língua nacional é possível para todos, e se não existe uma alternativa mais propícia para a ordem lingüística mundial, ou melhor dizendo: desordem.



NÃO PODEMOS ABSOLVÊ-LOS



            Senhores, nada poderá inocentar os acusados.

            Eles vivem num século no qual  na justiça, assim como na ciência, nenhuma conclusão é tirada antes que os fatos sejam analisados. À despeito deste princípio, eles nunca se integraram sobre os fatos relativos ao Esperanto em seus raciocínios, e eles repetidamente concluíam que não havia sentido buscar uma sistema melhor de comunicação entre os povos do que o caótico e desigual sistema que reinava em todo lugar.

            Eles vivem num século no qual quando muitas possibilidades se apresentam, devem-se compará-las para se poder escolher as propostas que apresentam as melhores vantagens e as que têm menos desvantagens. Vocês viram estas pessoas. Perguntados quando eles compararam na prática segundo uma série de critérios pré definidos  os diversos sistemas de comunicação internacional, inclusive o Esperanto, eles vergonhosamente olhavam para o chão. “Sobre isto a gente nunca pensou”, murmurou um.. Mas eles confessaram que em outros campos, quando eles tiveram que usar o dinheiro dos que pagavam impostos ou dos acionistas, eles lançavam editais para ofertas ou propostas, ou de outra maneira, consideravam uma série de possibilidades para compará-las e escolher a melhor.

            Eles vivem em um século em que a discriminação é ilegal. Mas suas atitudes em relação às pessoas que tentavam torná-los conscientes  sobre as potencialidades do Esperanto, e sobre sua realidade, freqüentemente eram discriminatórias; eles logo despachavam estas pessoas sem as escutá-las, sem ler ou considerar de uma maneira adequada seus documentos. Assim aconteceu de uma maneira notável como vocês descobriram ouvindo as testemunhas, junto à União Européia, mas muitos outros exemplos poderíamos apresentar à vocês. Nenhum fato que os possa absolvê-los existem em favor deles.  Até agora há uma dúvida se eles têm consciência sobre a amplitude de frustrações, dos sofrimentos, dos inúteis desperdícios de tempo e energia, das perdas, do desperdício não aceitável e dos sofrimentos que foram causados por causa da ignorância sobre as realidades lingüísticas deles. Todos os aspectos negativos da desorganização lingüistica, os quais evitar seria tão fácil, como prova nossa atual maneira de viver, eles olhavam como inevitável, assim como a escravidão, durante séculos era vista como algo normal, de um tal modo, que até mesmo os escravos, viam como um aspecto inevitável da vida. Durante muitas décadas, as inúmeras vítimas da desordem lingüistica mundial eram mentalmente manipuladas para que elas acreditassem que para tal situação não havia alternativa.  Isto é imperdoável, haja visto o nível intelectual dos responsáveis, assim como se levarmos em consideração  seus treinamentos, científico e político, que necessariamente lhes educaram  sobre a necessidade de serem objetivos e controlarem os fatos.

Senhores jurados , vocês devem para a justiça e também paras as gerações futuras uma declaração clara e contundente que aquelas pessoas foram culpadas. O presidente do tribunal agora os orientará sobre como...

(aqui o texto se interrompe abruptamente)

  Texto originalmente escrito em esperanto por Claude Piron que permitiu a tradução para o português e publicação.

  Traduzido por João Manoel Aguilera Júnior

A PROPOSTA POLÍTICA RELIGIOSA E IDEOLÓGICA DA LIGA BRASILEIRA DE ESPERANTO


O movimento esperantista pode ser dividido em duas partes: antes e depois da Internet. Antes da Internet, os caciques ou xerifes do movimento em prol do esperanto transformaram o movimento esperantista numa espécie de oligarquia que, de maneira autoritária manipulavam os jornais e revistas do movimento sempre impondo idéias conservadoras e reacionárias. Agora com a Internet é diferente, porque a livre circulação de idéias é assegurada e instituições como a Liga Brasileira de Esperanto, não podem mais ter o monopólio da informação através de revistas como a “Brazila Esperantisto (BE)”.

Carlos Andrade Pereira reconhece na revista BE que “alguns esperantistas temem o território muito livre da Internet, onde as pessoas, ao que parece, têm o mesmo poder, onde a autoridade não se encontra no título, idade ou cargo, mas nas idéias dos esperantistas”.

Aproveitando esta liberdade SEM PRECEDENTES que não teria na revista BE vou tecer algumas considerações sobre como eu vejo proposta política da Liga Brasileira de Esperanto, analisando a ideologia subjacente nos artigos da revista BE, órgão da Liga.

“O MUNDO NÃO SABE QUE O ESPERANTO EXISTE PORQUE A GENTE NÃO SABE DIVULGAR”

O movimento esperantista é um paradoxo: temos uma língua que tem um caráter subversivo e revolucionário, mas temos uma “ONG” (a Liga) que é conservadora e reacionária. A maioria dos falantes do esperanto no Brasil, muito conservadores e religiosos, se recusam a reconhecer que o esperanto é uma língua que vai contra a ordem político-lingüística mundial, e sua popularização significaria uma revolução econômica pois estamos falando no destino de milhões de dólares que deixariam de ser canalizados para alguns países, grupos econômicos e classes sociais e seria dirigido para outros “bolsos”. Estamos falando que milhões de pessoas que vivem do ensino do idioma do país imperialista do Norte teriam que mudar de profissão ou aprender outra língua se a atual política lingüística mundial fosse alterada.

Mas os esperantistas preferem não entrar no cerne da questão de que o esperanto não é uma língua neutra e que o problema da paz não será resolvido APENAS com uma mudança na política lingüística mas sim com uma melhor distribuição de riquezas no mundo.

Então a Liga comete um erro terrível ao acreditar que a omissão sobre o esperanto no mundo parte de causas internas do movimento esperantista (“não divulgamos o esperanto com eficiência) e não de causas externas (o esperanto é um idioma libertário e perigoso que representa uma ameaça aos donos do poder no mundo).

Neste caminho parte o Incrível Exército Brancaleone numa cruzada, “num plano ambicioso(?)” proposto pelo presidente da Liga, Licio de Castro para o objetivo de "colocar o esperanto nas ruas".

MANIQUEÍSMO E INGENUIDADE: OS VERDADEIROS E OS FALSOS ESPERANTISTAS – “OS HOMENS INTELIGENTES RECONHECERÃO O ESPERANTO”

Segundo Alberto Flores (BE), os “verdadeiros” esperantistas, nunca param de trabalhar pelo esperanto. Ele acredita que existe um “sentimento fraterno” que é a alma do esperanto, e que nunca morre”, e que o esperanto é um “ideal nobre” e “uma ponte de amizade entre os homens. Com muita ternura e pouco objetividade ele acredita que “devemos ter “fé” e “trabalhar” porque certamente “os homens inteligentes de todo o mundo reconhecerão o valor e a utilidade de nossa bela língua”. Fica assim criado um maniqueísmo onde há verdadeiros e falsos esperantistas. Ingenuamente devemos esperar que os homens “inteligentes” reconheçam o esperanto. Não lhe passa pela cabeça que o nosso movimento é uma luta política coletiva em prol de uma nova política lingüística mundial.

O CAPITALISMO E A IGREJA HOMARANISTA: ASSIM O ESPERANTO VENCERÁ!

John Lennon tinha um sonho: um mundo sem religiões e sem países. Mas num mundo onde os religiosos se matam em nome de Deus, a postura da Liga através da revista BE é que a “vitória final” do esperanto passa pelo uso do mesmo pelas seitas ou religiões cristãs ocidentais. O público alvo da Liga são os espíritas, mas para dissimular um pouco faz acreditar que quer divulgar o esperanto entre católicos e evangélicos. Isto pode ser confirmado no boletim “A Semente” (este nome lembra a parábola do semeador da Bíblia) na página 7 e 8.

Fabrício Valle (BE) acredita que já que os capitalistas não usam o esperanto, nós devemos então nos tornarmos os capitalistas (empresários) e então usar o esperanto. Devemos ser discípulos de Bill Gattes, segundo Fabrício. Neste caso teríamos que primeiro mudar de classe social, deixar de sermos trabalhadores para ser capitalistas, deixar de sermos oprimidos para sermos opressores.

“Devemos ser pragmáticos”, afirma ele, que acredita que devemos conciliar as idéias ingênuas da Igreja Homaranista (uma seita que existe dentro do esperanto) com a aplicação do Esperanto até mesmo no capitalismo selvagem.

AS RELIGIÕES NA DECADENTE CIVILIZAÇÃO CRISTÃ-OCIDENTAL!

Afonso Soares (BE) acredita que neutralidade existe e ela consiste no respeito à todas idéias não-neutras. Na realidade, neutralidade política não existe (pode haver sim neutralidade partidária). Quanto às religiões, este tema deveria ser “estranho” ao movimento esperantista, porque nós somos apenas um movimento por uma nova ordem lingüística mundial. Se fosse o caso deveríamos dar atenção ao Islamismo que é a religião que mais cresce no mundo e não à nossa decadente civilização cristã-ocidental.

LIGA BRASILEIRA DE ESPERANTO S/A: É POSSÍVEL MELHORAR O CAPITALISMO! O CAPITALISMO VAI AJUDAR O ESPERANTO!

A meu ver, a definição abaixo sobre no que pode se transformar uma ONG se encaixa perfeitamente no caso da Liga. A ideologia da Liga está implícita de forma subjacente nos artigos da BE quando se afirma que através da “atitude empresarial” dos esperantistas, o esperanto vencerá:

“As ONGs muitas vezes alimentam fortes distinções entre os especialistas e os dirigentes no topo, e o membro comum. Os membros muito freqüentemente apenas participam no sentido mais irrisório, são pouco encorajados a se informarem e a tomarem iniciativa, sendo tratados como fonte de dinheiro que é contatada apenas como parte de uma campanha para levantar fundos. Os escritórios centrais das ONGs normalmente seguem padrões hierárquicos, indistinguíveis daqueles das corporações transnacionais. A maioria delas considera que o capitalismo é reformável, e normalmente se descrevem como organizações que trabalham para ajudar o atual sistema sócio-econômico a superar seus problemas ecológicos e sociais e a seguir mais suavemente. Aspectos de tal estratégia incluem uma tendência a assumir o manto de "legítima" voz, sem hostilidade ao governo, e uma dependência da mídia capitalista. “

A MÍDIA CAPITALISTA E O ESPERANTO


Os meios de comunicação e a mídia capitalista em geral, que são instituições à serviço dos donos do poder, ocultam na maioria das vezes a existência do esperanto, e em muitos casos desinformam os leitores com idéias preconceituosas e sem fundamentos sobre este idioma.

    A imprensa burguesa não poderia ser simpática ao esperanto porque afinal os donos do poder não desejam que a maioria dos trabalhadores sejam bilíngües ou tenham acesso livre à outros povos e culturas. Para dominar  é preciso dividir, mas  o objetivo do esperanto é unir e libertar (os oprimidos).

    Os donos do poder sabem que a política lingüística com ênfase ao idioma inglês, os eternizarão no poder porque afinal são sempre os ricos que terão condições de aprender bem o inglês e manterá a maioria da população monoglota. As elites nacionais aprenderam bem o dever de casa e colocam seus interesses acima dos interesses da maioria das pessoas e das culturas, pouco se importando se a atual política lingüística mundial levará à morte centenas de idiomas no mundo.

    Mas a elite conta também com outra instituição  à serviço do poder para omitir o esperanto: a escola (onde as crianças são doutrinadas que o idioma inglês já é internacional e o esperanto simplesmente omitido).

    O Esperanto, anárquico por natureza torna-se insuportável para os donos do poder, autoritários e hierárquicos pois este idioma  é pura desobediência civil, Falar esperanto é algo meio subversivo ou revolucionário porque o uso do idioma rompe as estruturas hierárquicas do poder pois os falantes do esperanto de diversos países falam em nível de igualdade (horizontal) e o idioma do rico país imperialista do norte é tratado apenas como um dos idiomas do planeta, que deve merecer a mesma consideração que os demais (nem mais nem menos): o inglês deve ser tratado como um idioma que não é pior nem melhor que os outros, apenas diferente.

    Para aqueles que são defensores da dominação, da hierarquia, da estrutura do poder, da competição e do capitalismo selvagem, o esperanto deve ser negligenciado.

DIÁSPORA E SECTARISMO RELIGIOSO NO MOVIMENTO ESPERANTISTA


A imprensa corporativa e todo mundo já sabe: pessoas que não são espíritas não se sentem confortáveis no movimento esperantista. Há uma diáspora (êxodo) no movimento esperantista no Brasil de pessoas que não são espíritas.
            Reuniões e encontros do movimento esperantista são realizados em centros espíritas ou locais espíritas.
            Deu no Estadão  no dia 26/3/2006 e é um fato irrefutável:
            “tem quem o associe (o esperanto) a uma religião ou outra. No Brasil, chegou a receber o rótulo de "coisa de espírita". Como muitos seguidores dessa religião o consideram a língua do terceiro milênio, que unirá as pessoas no ideal de fraternidade, editam obras e mantêm no site da Federação Espírita Brasileira uma versão do conteúdo em esperanto. Pois não é que um grupo de evangélicos desistiu de um dos cursos oferecidos na Capital mal soube que o dicionário era editado pela Federação? Talvez o nome do autor na capa tenha contribuído para a diáspora: Allan Kardec Afonso Costa.”

    Muitos esperantistas (espíritas) afirmam que o esperanto não foi criado por Zamenhof, mas pelos espíritos no mundo espiritual. Zamenhof seria apenas uma espécie de profeta que teria reencarnado para divulgar o esperanto.
    Como uma língua que tem pretensões de ser internacional pode ter um movimento sectário
que exclui pessoas de outras religiões?

ESPERANTO É IDIOMA QUE UNE HOMOSSEXUAIS


 O Esperanto é a uma língua internacional falada por pessoas em todos os continentes. Sua primeira gramática foi lançada pelo lingüista Lázaro Luiz Zamenhof.
            A finalidade deste idioma é facilitar a comunicação internacional. Já existem diversas associações de diferentes setores da sociedade como os trabalhadores, cientistas, artistas etc... que usam o esperanto para integrar pessoas de diferentes nacionalidades. Uma destas associações é a Liga dos Homossexuais Esperantistas.
            O estatuto da Liga dos Homossexuais Esperantistas (LSG) aprovado na Inglaterra em 1979 diz que o idioma a ser utilizado por esta Organização Não Governamental (ONG) é o idioma Esperanto.
            Os princípios básicos da Liga dos Homossexuais Esperantistas estão baseados na Declaração Universal dos Direitos do Homem, na luta contra a discriminação lingüística e contra a discriminação aos homossexuais, aos falantes do esperanto  e aos grupos esperantistas.
            OBJETIVOS
            Os objetivos desta associação são:
- Criar uma solidariedade internacional e incentivar colaboração entre seus membros, apoiando a ação pela divulgação do Esperanto e pela plena aceitação dos homossexuais na sociedade.
- Trabalhar pela eliminação da discriminação lingüística, informando à respeito do problema lingüístico mundial e sua solução através do uso do Esperanto nos meios homossexuais.
- Lutar pela eliminação da discriminação aos homossexuais, informando a respeito do significado e dos problemas dos homossexuais na comunidade dos falantes do esperanto.
OUTRAS INFORMAÇÕES
            A Liga dos Homossexuais Esperantistas possui membros em dezenas de países. Todo o ano é realizado um encontro internacional, geralmente por ocasião dos Congressos Mundiais de Esperanto. Também é editado em jornal bimestral todo em esperanto e mantida uma página sobre a Liga dos Homossexuais Esperantistas na Internet. De maneira que para os homossexuais falantes do esperanto a barreira lingüística não é um empecilho para a comunicação internacional.

OPINIÃO DE SAPIR


A ANÁLISE SOBRE A NECESSIDADE DE UMA LÍNGUA INTERNACIONAL PELO LINGÜISTA EDWARD SAPIR
    O lingüista norte-americano Edward Sapir (1884-1939) foi o iniciador, na lingüística norte-americana, do movimento estruturalista. A sua importância e a repercussão de suas idéias crescem cada vez mais. Veja o que Sapir afirmou sobre a necessidade de uma língua auxiliar internacional: Sapir afirma que “pouca divergência há sobre a vantagem de uma língua auxiliar internacional e aponta duas considerações:
     l) É o problema puramente utilitário de facilitar a necessidade crescente de comunicação no seu sentido mais elementar.
    2) Uma língua auxiliar internacional deveria servir como uma ampla base para todo tipo de entendimento internacional, o que significa evidentemente, em última análise, todo tipo de expressão do espírito humano que ultrapasse interesses locais, o que por sua vez redunda em incluir toda e qualquer sorte de interesses humanos.”    
POR QUE NÃO USAR O INGLÊS?
    Sapir afirma que há uma parcela de ilusão ao se propor o inglês como língua internacional e afirma que o “o espírito moderno não se dará por satisfeito com uma língua internacional que apenas estenda as imperfeições e os provincianismos de uma língua em detrimento das outras” e analisa a atitude de inconformismo de outros povos diante da expansão ou imposição de uma língua nacional que não é a sua, salientando que “a psicologia de uma língua que se impõe ao indivíduo por força de fatores que escapam ao controle dele, é muito diferente da psicologia de uma língua que se aceita por livre e espontânea vontade”. Sapir afirma também que “A criação comum exige o comum sacrifício, e talvez não seja argumento dos mais fracos, em favor da língua internacional, o fato dela ficar, pelo menos na aparência , igualmente fora das tradições de todas as nacionalidades.
    A dificuldade comum em aprendê-lo dá-lhe um caráter impessoal e se faz calar o ressentimento que nasce da rivalidade.” Por outro lado, Sapir analisa que nem o francês, nem o latim, envolvidos em questões nacionalistas e religiosas foram soluções definitivas para o problema da comunicação internacional, que o problema não foi inteiramente resolvido e menciona que não há razões para acreditar que o inglês se sairia melhor neste campo, enfatizando que uma língua internacional não pode estar relacionada a nenhum localismo ou nacionalidade. “A atitude de independência, em face de uma língua artificial que falantes de todas as nações terão que adotar, é em verdade uma grande vantagem, porque concorre para o homem se sentir dono da língua em vez de seu escravo.
    O acatamento geral a uma forma de expressão que não se identifica com nenhuma unidade nacional, provavelmente há de ser um dos mais poderosos símbolos da liberdade do espírito humano que o mundo jamais conheceu”, afirma Sapir e acrescenta que na medida que nações orientais ganham destaque e importância no mundo moderno, fica mais difícil impor um idioma nacional como o inglês ou o francês. Sapir cita uma outra vantagem de uma língua planejada sobre as línguas nacionais: “É a abolição do receio, no uso público, de uma língua que não é a nativa do falante” analisando que os nativos que se arvoram em guardiões da língua se sentem numa situação privilegiada e superior ao passo que aquele que tenta falar uma língua que não é a sua língua materna fica numa situação muito inferior perante o nativo. Resumidamente, Sapir afirma que “Uma língua internacional, bem construída, é muito mais fácil de se aprender que quaisquer línguas nacionais, aguça a perspicácia do indivíduo na estrutura lógica da expressão, de uma maneira que nenhuma destas outras faz, e põe o indivíduo na posse de uma grande soma de material léxico, que poderá ser útil na análise da própria língua do falante e na maioria das outras que ele possa aprender”.

Fonte: Livro "Lingüística como Ciência" - Editora Acadêmica edição de 1969

LINGÜÍSTICA: UMA CIÊNCIA À SERVIÇO DO PODER


Enganam-se aqueles que acreditam que a ciência é um conhecimento “descompromissado” ou neutro. A ciência, financiada pela classe dominante e pelos estados poderosos bem como as principais instituições, a escola, a universidade, e os meios de comunicação só podem estar à serviço do poder, da elite, ou seja: da classe dominante.
Observamos que a “Lingüística Oficial” ou acadêmica é uma ciência que dá respaldo à atual política lingüística mundial baseada na hegemonia econômica, ou seja, na lei da selva: quem pode mais, impõe seu idioma.
As Universidades, que deveriam ser um laboratório para se encontrar soluções para o problema da barreira lingüística, se transformaram em próprias executoras da atual política lingüística reacionária subjacente, que impõe a língua do país hegemônico para todo o planeta, muitas vezes usando um argumento determinista: por que sempre foi assim, assim sempre será (sempre o povo forte oprime o fraco, é a regra que não podemos fugir).
Nas Universidades ensina-se na maioria das vezes os idiomas dos países poderosos. Para muitos lingüistas o esperanto é um tabu, considerado uma língua “artificial” muito embora os linguistas mesmos não definem com precisão o conceito de natural ou artificial.
“O lingüista lida com as línguas naturais” (Jonhs Lyons, Linguagem e Lingüística).
A maioria dos lingüistas do Brasil e do mundo não têm idéias próprias sobre o esperanto: apenas repetem como papagaios os preconceitos que leram em livros editados por outros lingüístas (estadunidenses) que criaram uma ciência lingüística à serviço da classe dominante. Para muitos lingüistas o esperanto é um tabu lingüístico: muitos evitam falar neste assunto assim como alguns padres evitam falar no diabo. A ciência virou uma espécie de religião, com seus próprios dogmas. Na realidade, deixou de ser ciência e se transformou em cientificismo.
Fica assim estabelecida um elo entre idioma, poder, dominação, imperialismo, ciência e lingüística numa harmonia que permite a manutenção da ordem lingüística mundial.

DIREITOS LINGÜÍSTICOS TAMBÉM SÃO DIREITOS HUMANOS


Recentemente se comemorou os 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e neste contexto vários setores da sociedade têm devidamente discutido várias formas de discriminação que os indivíduos ainda sofrem. No entanto um tipo de discriminação que tem sido negligenciado é a discriminação lingüística.
O artigo 2 da referida Declaração afirma que todas as pessoas podem usufruir de todos os direitos e liberdade estabelecidos na Declaração, sem distinção de qualquer tipo, especialmente de raça, cor, sexo, LÍNGUA, religião, etc... No que se refere à discriminação por língua o que se verifica é que atualmente é um tipo de discriminação muito sutil, mas muito freqüente infelizmente.
Devido à hegemonia econômica e política algumas línguas e os povos que as falam acabam se privilegiando e ficam numa situação muito favorável, mas a grande maioria da população mundial é vítima deste tipo de discriminação, têm que investir muito dinheiro e anos de sacrifício para atingir apenas um grau razoável de domínio da língua da nação hegemônica. Isto sem falar na vantagem psicológica que os indivíduos privilegiados que podem se expressar na sua língua materna sem medo de errar ao passo que os indivíduos que são obrigados a falar numa língua que não é a sua língua materna têm, logicamente, um certo receio de se expressar em uma língua que não é a nativa do falante.
A atual política lingüística mundial (baseada exclusivamente nos idiomas nacionais) é antidemocrática e está baseada na “lei do mais forte”: quem detêm a hegemonia econômica impõe a língua. É também uma política que levanta obstáculos de expressão, comunicação e associação. Este assunto foi muito debatido em 1980 em Stokholmo por 1800 participantes de 51 países por ocasião do 65o Congresso Mundial de Esperanto que chegou à seguinte conclusão:
“1 O problema da discriminação lingüística está intimamente ligado a outras espécies de discriminações, e estes tipos de discriminações têm suas dimensões lingüísticas.
2 Entretanto também a discriminação lingüística é claramente distinguível como um problema à parte, que é freqüentemente confundida com discriminação racial ou étnica, mas efetivamente têm suas características únicas.
3 Ocorre discriminação lingüística se de dois grupos que têm línguas diferentes, o primeiro grupo deve aprender a língua do segundo, mas o segundo grupo não deve aprender a língua do primeiro.
4 Lingüisticamente discriminados podem ser não apenas grupos lingüísticos minoritários dentro de um mesmo país, mas também num quadro mundial, as nações e estados independentes.
5 Discriminação lingüística pratica aquele que pratica a sua própria língua também para todos os contatos com falantes de outras línguas, obrigando-os assim a usar sua língua.
6 Discriminação lingüística sofre aquele que é obrigado por um outro povo a usar sua língua em definidas esferas da vida (por exemplo, na educação , na profissão, em contatos internacionais)
7 Discriminação lingüística entre países manifesta-se na política interna de organizações internacionais, que favorecem algumas línguas nacionais como línguas de trabalho ( e consequentemente favorecem alguns países em detrimento à outros) e desta maneira excluindo algumas línguas, freqüentemente as línguas dos países menos fortes.”
É necessária uma conscientização da necessidade de uma nova política lingüística baseada no respeito e na igualdade, e através do uso de uma língua internacional que não se identifique com nenhum Estado ou Nação. Neste sentido, o lingüista Edward Sapir afirma que as línguas nacionais são enormes interesses capitalizados que resistem em uma hostilidade surda à qualquer inquérito ou devassa. Sapir também afirma que a atitude de independência em face de uma língua artificial que falantes de todas as línguas adotem(como uma Segunda língua, ao lado da língua nacional) é em verdade uma grande vantagem, porque concorre para o homem se sentir dono da língua ao invés de seu escravo e que o acatamento a uma forma de expressão que não se identifica com nenhuma unidade nacional provavelmente há de ser um dos mais poderosos símbolos da liberdade do espírito humano, que o mundo jamais conheceu.
É necessário uma conscientização que os direitos lingüísticos fazem parte dos direitos humanos e atentar para o papel significativo que o esperanto Língua Internacional, pode desempenhar para a eliminação da discriminação lingüística, e a intensificação da cooperação entre países de uma maneira democrática e igualitária, através de um bilingüísmo planejado de modo que a língua de cada indivíduo seja respeitada e incentivada o seu uso e havendo necessidade de um contato entre falantes de línguas diferentes seja usado um idioma sem nacionalidade. Os diversos países e organizações internacionais devem seriamente analisar o potencial que o idioma Esperanto proporciona como um recurso de comunicação internacional com o objetivo de seguir os princípios da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

A DESIGUALDADE LINGUÍSTICA NO MUNDO


Fortaleza, 03 de agosto de 2002

Como geralmente em todos os anos desde 1905, ocorre o assim denominado “Congresso Mundial de Esperanto”, o maior evento em Esperanto, onde se discutem os desafios enfrentados pela língua internacional. Neste ano, em Fortaleza, estiveram 1500 delegados de organizações de falantes do Esperanto de mais de 60 países, que animadamente discutiram – sem intérpretes e sem o inglês – a ameaça de uma catástrofe lingüística neste início do século 21: cerca de 90 % das 6.000 línguas faladas, ao que parece, não sobreviverão neste século. Por ocasião do congresso, o presidente da Associação Mundial de Esperanto, Renato Corsetti, professor de lingüística da Universidade de Roma alertou sobre os custos sociais e econômicos para o Brasil e para a América Latina referentes à desigualdade lingüística.

SOBRE A IGUALDADE LINGÜÍSTICA:
A desigualdade lingüística proporciona grandes lucros a determinados países e grupos sociais. Os brasileiros, entretanto não começaram a calcular os custos sociais e econômicos causados pela desigualdade lingüística nos mais variados campos como, por exemplo, nos meios de comunicação, na exploração científica, na educação e no comércio.
Devido à desigualdade lingüística pelo mundo, uma língua morre a cada duas semanas. Se não houver uma mudança radical na política lingüística, cerca de 90% das 6.000 línguas do mundo não mais serão faladas nos próximos 100 anos. Nunca na história da humanidade desapareceram tantas línguas. Na África, 600 das 1.400 línguas estão ameaçadas de desaparecer devido à pressão das “grandes” línguas. Apenas 20 línguas na Austrália ainda sobrevivem das 250 línguas faladas no final do século 18. Na Índia, colônia britânica durante séculos, a desigualdade lingüística ainda esmaga as mais de 1.600 línguas nacionais. Depois de mais de 50 anos da independência, o inglês permanece como a língua do poder, mas falada por menos de 2% da população. Depois do inglês, é o idioma hindu, que conjuntamente comprimem outros 18 idiomas “grandes”, 400 outros “catalogados” e um impreciso número de outros idiomas. Em muitos países da América do Sul, temos a impressão que os governos estão esperando que os 275 idiomas “não oficiais” desapareçam antes que eles se tornem idiomas de ensino oficiais. Hoje, no Brasil, uma longa lista de idiomas do ACROÁ ao YABAÂNA não são mais falados. Será que em breve outros idiomas como o AMANAYÉ e o YAWANAWA também não serão mais ouvidos?
Ao mesmo tempo, e também principalmente devido à desigualdade lingüística, mais de 1 bilhão de pessoas no mundo gastam cerca de 50 bilhões de dólares para aprenderem a língua mais poderosa do mundo, o inglês. Apesar deste sucesso econômico, o British Council, por exemplo, ainda se preocupa com a decrescente queda de arrecadação no ensino do idioma inglês em diversos países. Os habitantes do norte da Europa conhecem tão bem o inglês que cada vez mais diminui a presença deles entre as 700.000 pessoas que anualmente, pagam para fazer um curso de inglês na Inglaterra. Saibam que em média, os estudantes que fazem um curso básico de inglês, permanecem 30 dias na Inglaterra e gastam em média 200 euros. O British Council calcula uma receita de quase 100 milhões de euros dos países da América Latina graças às 24.000 “visitas” para cursos de inglês e uma tendência de despesas duas vezes mais alta dos habitantes destes países. Também no Brasil, empresas inglesas e norte-americanas esperam “vender” mais cursos de inglês. Durante a crise econômica, a concorrência no mercado de trabalho favoravelmente age sobre conhecimentos “necessários” como o do inglês e faz do Brasil um excelente mercado para o idioma inglês. Quanto o Brasil paga para aprender inglês, não se sabe exatamente, devido à falta de boas estatísticas.
O Brasil ainda paga às universidades de fala inglesa. Dos 550.000 estudantes estrangeiros durante o último ano letivo das universidades de fala inglesa, 64.000 eram da América Latina. Entre eles quase 9.000 brasileiros.
Logicamente os brasileiros são ambiciosos e alvejam o mercado de trabalho nos Estados Unidos. Logicamente o sistema de educação brasileiro prepara um pequeno exército dos mais talentosos estudantes para os Estados Unidos. Para provar aos futuros patrões um conhecimento quase que “de nascença” do inglês e o domínio de “modernos” métodos de trabalho, um ambicioso brasileiro precisa de um diploma de uma universidade de fala inglesa.
A adoção do inglês, como língua de ensino na América Latina absolutamente não “reequilibra” a desigualdade entre sistemas educativos de países de fala inglesa e a América Latina. É tão mercantil o sistema comercial norte-americano no Brasil que os pais e estudantes preferem universidades e países “verdadeiros” de fala inglesa. Mesmo que se a América Latina ou o Brasil tenham boas universidades, elas perdem continuamente mais de 70.000 estudantes para os paises de fala inglesa. Estudantes estrangeiros são grande fonte de riqueza. Cada um anualmente paga cerca de 25.000 dólares para moradia, mensalidades e despesas escolares em países como os Estados Unidos, Inglaterra e Austrália. Assim, eles ao mesmo tempo sugam talentosos estudantes e recursos do sistema de educação do Brasil.
Tão lucrativa é a “indústria da educação” em fala inglesa, que a Nova Zelândia, por exemplo, introduziu um imposto específico que incide sobre os cursos. Graças a esta indústria, os Estados-Unidos arrecadou cerca de 12,3 bilhões de dólares. Trata-se de uma evasão de riquezas dos países de língua não inglesa e por isto que norte-americanos e ingleses, pelo fato de não conhecerem outras línguas, muito raramente estudam no exterior. Também o grave é a perda de talentos, como mostra o estudo da OECD; “The Mobility of Highly-skilled Workers”, publicado em janeiro de 2002. Os mais talentosos estudantes estrangeiros na Austrália, Estados Unidos e Inglaterra recebem propostas de trabalho e assim, são perdidos, freqüentemente durante décadas sem ajudar na evolução social e econômica de seus países de origem. Esta perda de talentos mundiais, que o Brasil também sofre é conseqüência direta da dominância do idioma inglês.
Apesar destes imensos investimentos pessoais dos brasileiros no idioma inglês, organizações e empresas internacionais discriminam aqueles que não falam o inglês perfeitamente ou “de nascença”. Para as organizações internacionais nas quais o Brasil também é membro, não mais se reclama devido aos constantes anúncios de empregos para falantes “de nascença” do inglês. Não se trata de exigir um “conhecimento excelente” ou “perfeito domínio” de uma língua, mas de sua origem social ou nacional: mesmo que você fale excelentemente, perfeitamente e quase sem erros o inglês, você não seria aceito nestes empregos. Durante os últimos anos, a Associação Mundial de Esperanto selecionou mais de 500 ofertas de empregos destinadas apenas para falantes “de nascença” do idioma inglês. A discriminação lingüística feita por firmas e organizações – e também pela Organização Internacional do Trabalho, pelo Alto Comissário para os Direitos Humanos da ONU , pela Organização Mundial do Turismo, pela Organização Mundial da Saúde e por outras organizações das Nações Unidas, indicam uma das mais graves violações às outras línguas; esta desvalorização social e econômica pelo mundo em virtude da desigualdade lingüística. Até mesmo uma empresa no Brasil começa a preferir apenas aquelas pessoas que falam bem o inglês, os candidatos que estudaram em escolas e universidades de fala inglesa e que por isto, quase que perfeitamente dominam o inglês. Pelo mundo, o custo da desigualdade lingüística é visível em muitos outros campos. Faltam estatísticas sobre muitos países. Infelizmente, a maior parte dos governos e também os governos do Brasil, preferem pagar bilhões para ensinar o inglês para as crianças e para os funcionários públicos a colher seriamente estatísticas sobre a desigualdade lingüística nas mais diversas indústrias e especialidades. Peguem o caso da indústria do cinema e da televisão. No último ano, os 20 filmes mais vistos nos cinemas do mundo foram norte-americanos ou produzidos em conjunto com norte-americanos. Em escala européia, os ainda lingüisticamente orgulhosos países de fala não inglesa da União Européia compraram 10 bilhões de euros mais de filmes, seriados de televisão, vídeos e outros produtos de áudio e vídeo em inglês do que eles venderam para a Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Inglaterra e Estados Unidos. Nos paises da União Européia de fala não inglesa, mais de 75% das emissões televisivas e filmes são produzidos em países de fala inglesa. O inglês, então, efetivamente exterminou a indústria cinematográfica comercial em muitos países. Vocês poderão rir, pois já se acostumaram com a falta da indústria cinematográfica nacional. Saibam que há apenas 30 anos, no meu país, a Itália, a gente se orgulhava da então florescente indústria cinematográfica italiana. No último ano, apenas cinco dos 20 filmes mais vistos na Itália não eram norte-americanos.
Através dos meios de comunicação, o inglês tanto pressiona que agora é possível notar uma rápida mudança até nas mais usadas palavras de nossas línguas. Na França se fala em “e-mails”, “weekend”, e não “courriel” ou “fin de semaine”. Na Alemanha os jovens são “cool” e certamente não “lässing”. No Brasil os clientes do banco usam o “cash dispenser” e não o caixa eletrônico. Esta dominação cultural – e não se trata de “enriquecimento recíproco” - se evidencia no fato de que hoje, o inglês cada vez menos incorpora palavra de outras “línguas grandes” como o espanhol, o alemão ou o francês. O crescente uso de palavras inglesas em outras línguas não incomoda apenas lingüistas puristas. Isto é uma indicação confiável do grau de desigualdade lingüística nos mais variados setores. Devido à pressão do inglês, por exemplo, o ensino em inglês substitui ensinos nos idiomas nacionais em universidades pelo mundo. A Malásia e Indonésia, depois de promoverem e zelarem pelos seus idiomas nacionais durante anos, não mais ensinarão disciplinas científicas em idiomas nacionais, mas apenas em inglês.
Apesar de tais evidentes custos do idioma inglês, falar sobre igualdade lingüística é um tema difícil. Os políticos publicamente “lutam” apenas em prol da própria língua e muito freqüentemente contra outras “pequenas” línguas. Sem raciocinar, as elites brasileiras adotam o inglês em diversos setores, e silenciosamente ou em voz alta acusam os defensores de outras línguas de serem nacionalistas. Quando se fala sobre idiomas, prefere-se ao que parece, uma linguagem militar de “batalha para defender o português” ou de “contra-ataque do português”. Entretanto, nunca foi tão necessária uma política lingüística com base na igualdade de todas as línguas e seus falantes. Nunca foi tão necessária a concreta ação de cidadãos e políticos pelo mundo por um sentimento de solidariedade lingüística. Infelizmente, hoje em todo lugar prevalece a concorrência daqueles indivíduos que melhor dominam o inglês, em detrimento daqueles que “apenas” sabem falar outras “línguas pequenas”. E no interior do país, o português devora a diversidade lingüística*.
Sem uma política lingüística consciente e ativa, o mundo caminhará para uma sociedade separada, de um lado, por uma elite que perfeitamente, de maneira excelente ou “de nascença”, domina o inglês e de outro lado dos outros, que sabem falar as outras línguas. Nesta procura por uma igualdade lingüística, fácil de ser aprendida, uma língua não étnica como o centenário Esperanto certamente auxiliaria. Entretanto, apenas o respeito à diversidade e igualdade lingüística garantirá o futuro de nossas 6.000 línguas e a igualdade de tais falantes. Sem tal respeito às línguas, verdadeiro e diário – e não com os discursos eloqüentes - os cidadãos do mundo enfrentarão séculos de discriminação lingüística. Tenhamos a coragem de dizer que as pessoas têm direitos iguais, e suas línguas também têm valores iguais. Afirmemos que a desigualdade lingüística é não apenas artificial como também uma justificativa da desigualdade.

Renato Corsetti
presidente da UEA (Associação Mundial de Esperanto)
(www.uea.org)

Traduzido por João Manoel Aguilera Junior, delegado da UEA no Brasil do texto escrito originalmente em esperanto.

*Nota do tradutor: o autor se refere ao fato que as línguas indígenas no Brasil estão desaparecendo devido á pressão do português.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Idiomas são desafio para espionagem dos EUA após 11/9

Idiomas são desafio para espionagem dos EUA após 11/9
19 de setembro de 2011 • 16h58 • atualizado às 17h30

Apesar do intenso foco sobre o Afeganistão, o Paquistão e o Oriente Médio na última década, as agências de espionagem dos EUA continuam carentes das habilidades linguísticas necessárias para conversar com nativos, traduzir informações interceptadas e analisar dados, segundo autoridades do setor.
Os atentados de 11 de setembro de 2001 motivaram um grande impulso no aprendizado de línguas estrangeiras com o objetivo de monitorar militantes e captar tendências em partes do mundo que não eram uma prioridade na Guerra Fria.
Mas as agências de inteligência norte-americanas precisaram encarar a realidade de que os idiomas necessários não podem ser aprendidos rapidamente, que as gírias que agentes e analistas dos EUA precisam conhecer são complicadas, e que as preocupações de segurança retardam a liberação de acesso ao material.
Ainda em 2008 e 2009, funcionários do setor de inteligência continuavam emitindo novas diretrizes e programas na esperança de melhorar a capacidade linguística de seus agentes.
"A língua continuará sendo um desafio para nós", disse James Clapper, diretor de Inteligência Nacional, em uma audiência parlamentar na semana passada. "É algo em que estamos trabalhando, e vamos continuar fazendo isso, mas provavelmente não estamos onde gostaríamos de estar."
O governo dos EUA precisa de pessoas que falem árabe, farsi, pashto, dari, urdu e outras línguas "exóticas", cujo aprendizado é mais difícil para anglófonos. "Se você voltar aos dias da Guerra Fria, era muito mais fácil para nós criarmos e termos um quadro de linguistas altamente qualificados, digamos, em russo e nas línguas do Leste Europeu, que chegam com muito mais naturalidade às nossas pessoas do que essas línguas do Oriente Médio", disse Clapper.
As agências de espionagem não divulgam publicamente o número de empregados com qualificações linguísticas. O Escritório do Diretor Nacional de Inteligência (Odni, na sigla em inglês) diz que o número de falantes do árabe na comunidade de inteligência basicamente triplicou nos últimos dez anos, e que as capacidades linguísticas relacionadas ao Afeganistão e Paquistão - os idiomas balúchi, dari, quiguiz, pashto, punjabi, tajique, urdu e uzbeque - aumentaram 30 vezes em relação ao que era antes do 11 de setembro.
Mas as agências de inteligência precisam de algo a mais do que apenas noções de um idioma para conseguir entender os significados culturais e os diferentes dialetos.
"Nesses dificílimos alvos terroristas, há obviamente esse anseio por falantes nativos", disse Ellen Laipson, da entidade de pesquisas Stimson Center. "Algumas das pessoas que você está tentando monitorar não são em si altamente educadas, por isso usam muita gíria, e é (preciso um conhecimento) de um padrão maior do que se você estiver tentando monitorar ou interagir com o elitizado pessoal da chancelaria de um país desenvolvido."
As agências de espionagem dos EUA estão procurando norte-americanos que sejam filhos e netos de pessoas dessas origens, para que possam oferecer uma compreensão cultural e linguística mais imediata do que ensinando alguém do zero. Mas esses grupos podem ter dificuldades em obterem acesso a materiais sigilosos, devido a seus vínculos familiares no país-alvo.
http://noticias.terra.com.br/mundo/11-de-setembro-10-anos/noticias/0,,OI5358798-EI18316,00-Idiomas+sao+desafio+para+espionagem+dos+EUA+apos.html