sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Há 125 anos o esperanto era criado como língua universal


Nota sobre a notícia abaixo: o movimento esperantista no Europa está fazendo sucesso e é um exemplo para os esperantistas do Brasil. Lá na Europa, o movimento esperantista é laico, não é subjugado pelas religiões e cresce com sucesso. Aqui no Brasil, a interferência de movimentos religiosos e seitas  no movimento esperantista colocou o movimento em decadência. O movimento esperantista no Brasil ficou com um cheiro de "naftalina". Os esperantistas do Brasil deveriam se emancipar e se libertar de movimentos religiosos, uma vez que o a ligação do esperanto com religião, feita frequentemente aqui, inviabiliza o esperanto como idioma internacional. Que a Europa nos sirva de exemplo.
Manoel
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NOTÍCIAS / CULTURA E ESTILO

CULTURA
Há 125 anos o esperanto era criado como língua universal
No século passado motivos políticos dificultaram sua disseminação, mas agora, com a ajuda da internet, o esperanto está se tornando cada vez mais popular.
Ninguém sabe exatamente quantas pessoas falam o esperanto. As estimativas variam entre 500 mil e 2 milhões, em todo o mundo. Parte-se que a maioria delas viva na Europa: consta que só na Alemanha cerca de 100 mil falam a chamada "língua planejada".
O primeiro livro em esperanto foi publicado em 1887. O autor e criador da língua foi o médico e filólogo Ludwig Lazarus Zamenhof, de Bialystok, cidade na época localizada em território russo e hoje pertencente à Polônia. Ele queria criar um meio de compreensão que conectasse as pessoas das mais diferentes nações e regiões culturais e, assim, promover a paz no mundo.
Historiador Ulrich Lins: esperantistas foram comparados a comunistas
Obstáculos políticos
O fato de, após 125 anos, a língua ter apenas algumas centenas de milhares de seguidores, se deve principalmente a obstáculos políticos, afirma o historiador Ulrich Lins, em entrevista à Deutsche Welle. Ele foi durante alguns anos o vice-presidente da Associação Universal de Esperanto. "Principalmente na Alemanha nazista e na União Soviética, a língua foi considerada perigosa, como um meio subversivo contra os respectivos interesses nacionais."
O esperanto era considerado um veículo potencial para se obter ou enviar informações para o exterior – grave crime na Alemanha nacional-socialista e na isolada União Soviética. Por esse motivo, os esperantistas foram perseguidos, explica Lins.
Embora as motivações dos aficionados do esperanto fossem as mais variadas, costumava tratar-se de gente com muito espírito de liberdade, cosmopolitas que se posicionavam contra o nacionalismo exacerbado. "O esperanto era algo para aqueles que queriam praticar um internacionalismo de base." Por isso, muitas vezes foram equiparados a socialistas e comunistas. Além disso, Zamenhof, o criador do esperanto, era judeu.
"Após a Segunda Guerra, o inglês ficou tão forte que o esperanto não teve mais nenhuma chance", acrescenta o historiador. Mas há alguns anos a "língua universal" registra um retorno. Através da internet, atualmente as possibilidades de se comunicar com gente de outras nações são maiores do que nunca. Para Lins, o esperanto seria o meio de superar as barreiras da língua.
Facilidade mundial de viajar
Roland Schnell desconsidera argumento de que poucos falam a "língua universal"
Essa experiência é confirmada por Roland Schnell. Ele é porta-voz da Associação do Esperanto de Berlim. O grupo possui cem membros, mas cerca de mil pessoas falam a língua na região, informa.
O desejo de viajar pelo mundo de forma mais barata é mais fácil de realizar com o esperanto, afirma Schnell. "O couchsurfing em esperanto está disponível desde 1974. E é usado com intensidade."
Por couchsurfing entende-se a possibilidade de pernoitar gratuitamente na casa de outras pessoas, através de uma rede internacional de hospitalidade. Muitas vezes, o conceito está aliado a outras coisas, como mostrar a cidade ao viajante. Roland Schnell não sabia falar francês, mas através do esperanto conseguiu rapidamente contatos na França.
Número de falantes não é decisivo
Centro cultural e de convenções Esperanto em Fulda, Alemanha
O também presidente da fundação Europaverständigung (entendimento na Europa) considera pouco relevante o argumento de que o esperanto seria falado por bem menos pessoas que, por exemplo, o inglês ou o francês. "A soma não conta. Trata-se de disponibilizar de forma voluntária uma ferramenta de comunicação que todos possam usar."
Schnell enfatiza que o esperanto sempre mostrou sua utilidade prática. "Houve publicidade em jornais por parte de comerciantes de vinho, uísque e cigarros." A propaganda em jornais é, hoje, cada vez mais difícil, porque a importância da imprensa escrita diminui na era digital. Mas existem outras possibilidades, ressalta.
Atualmente, a associação berlinense de esperanto planeja colar cartazes em bicicletas, espalhadas pela cidade especialmente para esse fim. Em Varsóvia, não foram necessários cartazes: lá, venceu a proposta de denominar as 1.100 bicicletas de aluguel da cidade com a palavra em esperanto "Venturilo".
O apelo publicitário também se mostra eficaz no caso dos hotéis que utilizam o termo "esperanto" para ressaltar seu caráter internacional. Schnell não sabe dizer se é a esses êxitos que se deve o crescente número de falantes de esperanto: certo é que a língua encontra cada vez mais adeptos.
Autor: Günther Birkenstock (ca)
Revisão: Augusto Valente
http://www.dw.de/h%C3%A1-125-anos-o-esperanto-era-criado-como-l%C3%ADngua-universal/a-16404773

sábado, 3 de novembro de 2012

Esperanto se consolida como língua dos espíritas e com associação ao espiritismo (religião)

Se alguém ainda tem alguma dúvida de que o esperanto perdeu sua neutralidade e está cada vez mais associado ao espiritismo, aos espíritas e  à religião basta tomar conhecimento que o Sexto Congresso Paulista de Esperanto foi realizado em outubro deste ano na  na Sociedade Espírita Obreiros do Bem na cidade de São Carlos. Mesmo que algumas pessoas que participaram do evento não sejam espíritas, o local do evento é uma congregação religiosa ligada ao espiritismo...
Ao se associar com o espiritismo o esperanto perde assim a sua neutralidade e também a chance de se tornar um idioma internacional. Agora vai ser cada vez mais difícil que pessoas de outras religiões ou mesmo ateus se interessem pelo esperanto. O movimento esperantista brasileiro se estagnou e segue em decadência, sufocado pela influência  sempre nefasta das religiões.
O esperanto ficou vinculado ao espiritismo assim como a Igreja Católica está vinculada ao latim. Portanto,  o Latim, e o Esperanto perderam a sua neutralidade, condição básica para que um idioma seja internacional.
O Espiritismo queria usar o esperanto para fazer proselitismo religioso no mundo. Não conseguiu e acabou matando o esperanto.
Mais detalhes sobre o congresso vejam no texto abaixo registrado no site do Jornal PP.
Junior
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Quinta, 11 Outubro 2012
INTERAÇÃO
6º Congresso Paulista de Esperanto será em São Carlos
Escrito por  Patrícia Ribeiro
 
A intenção de Zanenhof era criar uma língua de fácil aprendizado que servisse como língua franca internacional. (Foto:Divulgação)

De 12 a 14 de outubro acontece o 6º Congresso Paulista de Esperanto em São Carlos.
O evento será na Sociedade Espírita Obreiros do Bem que fica na Rua Vivaldo Lanzoni, 200 no bairro Lagoa Serena. Nesta sexta-feira, 12, as atividades serão das 15h às 22h. No sábado, 13, será das 8h às 22h e domingo, 14, das 8h às 12h. Haverá curso básico para iniciantes.
A língua universal Esperanto comemora este ano 125 anos de existência. Trata-se de uma língua bastante útil para a comunicação internacional possibilitando que pessoas de diferentes lugares do mundo interajam entre si proporcionando união entre elas.
É uma língua neutra, pois não pertence a nenhum povo ou país em especial, é igualitária do ponto de vista lingüístico. É relativamente de fácil aprendizado graças à sua estrutura e construção da língua. E viva, pois é uma língua que evolui e vive igualmente como outras línguas e através dela é possível expressar os mais diversos aspectos do pensamento e sentimento humanos.
“Anualmente acontece congressos a nível regional, estadual, nacional e internacional de Esperanto. É muito importante para os esperantistas e também para a cidade de São Carlos que foi escolhida para receber toda a diversidade cultural que encontros como este proporcionam”, conta a professora e pedagoga praticante do Esperanto, Aparecida Mandarini R. Menegasso.
De acordo com Aparecida a importância de aprender Esperanto está na relação obtida entre pessoas de várias partes do mundo, sendo instrumento apropriado para o cultivo de amizade e colaboração entre pessoas de diferentes línguas nacionais. “Os esperantistas sentem-se muito amigos entre si, formamos uma grande família. Há muito respeito entre nós. Viajamos para vários lugares onde somos acolhidos na casa de pessoas que falam Esperanto, assim como também frequentemente recebemos esperantistas em nossa casa. Há uma troca e aprendemos muito uns com os outros”.
A língua Esperanto foi criada por Lázaro Luiz Zanenhof e hoje é a língua planejada mais falada no mundo. O esperanto é empregado em viagens, correspondência, intercâmbio cultural, convenções, literatura, ensino de línguas, televisão e transmissões de rádio. Encontra-se em Esperanto livros importantes como a Biblia Sagrada, Machado de Assis e José de Alencar. É usado em mais de 120 países.
Aparecida, que hoje dá aulas gratuitas de Esperanto aos interessados, diz que o aprendizado é rápido e fácil. “Em três meses é possível aprender o básico em Esperanto e um pouco mais de tempo para aperfeiçoes. A língua contém 16 regras fixas e regulares e qualquer pessoa em qualquer idade pode aprender”.

http://www.jornalpp.com.br/cultura/item/21084-6%C2%BA-congresso-paulista-de-esperanto-ser%C3%A1-em-s%C3%A3o-carlos

terça-feira, 10 de julho de 2012

MANIFESTO DE CAMPINAS


(em esperanto e português) 
Manifesto por um movimento esperantista laico e independente.

MANIFESTO DE CAMPINAS
Nós, participantes do movimento laico e independente em prol do esperanto,
Observando que:
Há uma falta de neutralidade religiosa no movimento tradicional esperantista no Brasil, que atualmente é subjugado e dependente da religião espírita. O Comitê de Organização do 41°Congresso Brasileiro de Esperanto (que ocorre em julho de 2006 em Campinas) se reuniu na sede de uma organização espírita em Campinas;
Notando que:
Este movimento tradicional esperantista promove congressos elitistas e de perfil pequeno-burguês, cobrando altas taxas de adesão, e desta maneira, excluindo do movimento esperantista os trabalhadores, estudantes e desempregados, sendo que congressos e alojamentos já ocorreram em quartéis e escolas militares;
Propõe que:
Os participantes da comunidade esperantista encontrem outros recursos mais democráticos de organização através da criação de coletivos independentes que sejam diferentes das atuais estruturas verticais e autoritárias encontradas no movimento esperantista tradicional e para que o movimento esperantista seja mais laico, independente, não reacionário e não conservador.

Movimento Esperantista Alternativo, Laico e Independente
Campinas, Julho de 2006
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MANIFESTO DE CAMPINAS - ESPERANTO -

Ni, gepartoprenantoj de la laika kaj sendependa komunumo pro esperanto,
Observante ke:
Estas manko de religia neútraleco en tradicia brazila esperanta movado, kiu nun estas submetita kaj dependanta de spiritisma religio. La Kongresa Komitato de la 41ª Brazila Kongreso de Esperanto (kiu okazas em Julio de 2006 em urbo Campinas) kunsidis en sidejo de spiritisma asocio en urbo Campinas;
Notante ankaú ke:
Tiu tradicia movado esperantista ankaú okazigas kongresojn elitistajn per et-burgha profilo, postulante altkostajn tarifojn, kaj tiel forpelante de la esperantista komunumo la gelaboristojn, gestudentojn kaj gesenlaborulojn, kaj ke kongresoj kaj loghejoj jam okazis en kazernoj kaj militistaj lernejoj;
Proponas ke:
La gepartoprenantoj de la esperantista Komunumo trovu aliajn rimedojn pli demokratiajn pri organizado pere de kreado de sendependaj kolektivoj kiuj estu malsimilaj de la nunaj strukturoj vertikalaj kaj ordonemaj trovataj en la esperanta movado tradicia kaj ankaú por ke la esperantista movado estu pli laika, sendependa, ne reakcia kaj ne konservativa.

Sendependa, Alternativa, kaj Laika Esperanto-Movado
Urbo Campinas, julio 2006

ROLO KAJ LOKO DE LINGVO INTERNACIA EN NIA EPOKO


 Cxi sube estas kompilajxo-skizo de la brosxuro "Genia Lingvisto Venkita de Etburgxeco" pri la fundamentaj momentoj en la lingva teorio de Zamenhof. verkita de E Spiridovicx (eldonata de L'omnibuso - Kioto)
gxi estas analizo pri la socia kaj historia kunteksto kiuj influis Zamenhofon en sia ideologio pri esperanto, pri la interna ideo, pri la etburgxeco de la kreinto de Esperanto.

ROLO KAJ LOKO DE LINGVO INTERNACIA EN NIA EPOKO
        Zamenhof ekkonsciis verajxon: ke lingvo internacia povas aperi nur cxe certa stadio en evoluo de la homa socio.
    Necesas ke ni komprenu la historian kuntekston en la tempo de la apero de Esperanto: estis epoko de la kreskado de la imperiisma kapitalismo, kiam la politiko de la kapitalismaj sxtatoj atingis sian superan evoluan gradon, por la sufoko kaj asimilado de la subpremitaj nacioj, por incitado de naciaj antagonismoj, por perfortaj trudado de lingvoj de la superaj nacioj al la nacioj subpremitaj.
        Do, Zamenhof mem apartenante mem al unu el la plej subjugitaj nacioj estis influita de tiu historia kunteksto.
Tamen Zamenhof fidela al sia naiva idealismo ne komprenis la rolon de la ekonomio pri la evoluado de la lingvoj kaj pensis ke la problemo de lingvo internacia dependas de "konvinkoj kaj opinioj de la homoj". Ne estante marksano, li ne povis prezenti al si klaran bildon pri la decida influo de la ekonomia bazo en la socio al la sxangxigxo de la ideologioj de la homoj. Li pensis ke la simpla praktikado de lingvo internacia stimulos la "praktikan bonon kaj profiton".

ZAMENHOF PRI LA SOCIA LOKO DE LA LINGVO INTERNACIA
        Zamenhof estis fremda al komprenado de klasbatalo. Sed li mem ne povis ne reflekti en sia teorio sian klasan et-burgxan vidpunkton. Li opiniis ke la lingvo internacia de la nuntempo povas ekzisti kaj evolui nur kiel lingvo de la plej largxaj amasoj kaj precipe de la "malsuperaj nekleruloj", de la "lingve neinstruitaj"personoj.
Tiu cxi ideo estas gxenerale gxusta, sed gxi estas klase ne esprimita: la lingvo internacia havas estontecon nur kiel klasa lingvo de la proletaro; la lingvo internacia estas akceptota de la vastaj laborular-amasoj nur cxe la kultura hegemonio de la proletaro.
        Tamen, historie, Zamenhof faris grandan pasxon antauxen. Ni komparu ekzemple Zamenhof kun la prelato Schleyer, kiu pri sia Volapuko diris ke gxi estis destinita "por la kleraj homoj de la mondo". Zamenhof opiniis ke en nia tempo, povas havi estontecon nur la lingvo de la malpli altaj "klasoj de la societo", tia lingvo, kian povas lude ekposedi "ecx la plej malricxaj kaj senkleraj vilagxanoj".
        Tiamaniere ni vidas ke laux Zamenhof, la lingvo internacia en la gxusta kompreno de tiu cxi vorto povas esti nur lingvo de la plej vastaj amasoj de "neinstruitaj" homoj.
Tiu cxi largxa demokratismo de Zamenhof efektive estis responda al la bezonoj de la epoko. gxuste la vastaj amasoj de la "neinstruitaj" homoj, ne posedantaj lingvojn alilandajn "trafas ofte en la staton de mutuloj", malgraux tio ke ili jam atingis la bezonon pri internacia komunikigxo.
        La unuaj jardekoj de disvolvigxo de la movado por helpa lingvo internacia montris, ke gxuste la etburgxa malsupera intelektularo estis antaux la imperiista milito (1914-1918) tiu amaso, kiu precipe estis antauxenmovanta la aferon de lingvo internacia. La vasta laborista movado por lingvo internacia, en mallonga tempo superkreskanta la burgxan , disvolvigxas en internacia skalo nur post la imperiista milito kaj post la oktobra revolucio 1917. Nur la proletaro, la vera portanto de la ideo pri lingvo internacia, donis al la movado tiun enhavon kiu pravigis gxin ideologie kaj liveras al gxi perspektivojn.

EN LA SERcxADO DE MOVFORTO POR LINGVO INTERNACIA
        Zamenhof komprenis ke cxiu lingvo estas "fakto socia" kaj ke lingvo internacia ne estas escepto.
Kiel fakto socia, la lingvo internacia povas esti nur sekvo de bezono pri gxi flanke de INTERNACIA SOCIA FORTO, por kiu gxi estus ilo de praktika komunikigxo, organisme devenanta el la tuta evoluhistorio de tiu cxi forto, el gxia politika mondkoncepto, el perspektivo de gxia disvolvigxo. Unuvorte, tiu cxi socia forto devas farigxi portanto de la ideo pri lingvo internacia, siavice devenanta el la evolutendenco de tiu cxi forto al internacia unuigxo de la nacioj kaj al ilia estonta kunfandigxo.
        Zamenhof firme konsciis, ke por la definitiva sukceso de la lingvo internacia, tiu cxi lasta devas trovigxi en la manoj de tia socia forto, kiu estus unuigita internaciskale ne ekstere, ne formale, per aplikado de tiu cxi lingvo, sed per "interna ideo", kiun li treege nebule imagis kiel ideon pri "tutmonda frateco de popoloj kaj klasoj". Venko de la lingvo internacia devus okazi, laux Zamenhof, kiel rezulto de disvastigxo de tiu cxi ideo.
        Zamenhof neniam komprenis la sociajn fortojn kiuj venigos la mondon al unueco, kaj ne bone klarigis gxiajn soci-politikajn principojn. Li opiniis ke la esperantistoj, dispolvigitaj tra la tuta mondo, estas jam tiu cxi socia forto. Vidante, ke inter la esperantistoj, unuigitaj nur ekstere pere de la lingvo internacia regas diversspecaj antagonismoj (klasaj, naciaj, religiaj), li opiniis ke oni povas per predikado de tiu cxi interna, cxion paciganta ideo, firme kunforgxi tiun konglomerajxon de la klasgrupoj, el kiuj estis konsistanta la movado por helpa lingvo internacia. El tio cxi devenas lia nelacigebla pacifista predikado pri la frateco de la popoloj.
        Zamenhof ecx provis fondi ian specon de nova religio kiu kunligus la diverskoloran kolektivon esperantistan sur bazo de la idealoj de "homaranismo" (pacifisma instruo pri frateco de cxiuj homoj de la mondo). Tamen la praktiko alportis al tiu cxi et-burgxa revanto nenion krom disrevigxoj. Ju pli multe kreskis la esperantista movado, des pli multe progresis en gxi diversaj sociaj klasantagonismoj.
        Venis la milito imperiisma (Unua Granda Monda Milito) kiu senmaskigis la tutan falsecon de la burgxa pacifismo. Esperanto kun sia "interna ideo" helpis nenion por la monda paco. Malespere, Zamenhof trovis nenion pli bonan ol turni sin al diplomatoj de la landoj militantaj, al tiuj cxefkomizoj de la imperiismo, kun admonoj ne forgesi pri la frateco de la popoloj. Kompreneble, Zamenhof ne ricevis respondojn. Jen tragedio de tiu cxi homo kiu faris pasxon antauxen en la kompreno de la esenco de la helpa lingvo internacia kaj de la kondicxoj por gxia disvastigxo kaj enkonduko, sed kiu ne scipovis elsalti el la kadroj de sia klaso: la genian auxtodidakton-lingviston venkis etburgxeco.
        Do, ne estas la interna ideo kiu influos la lingvan internacian ordon sed la komuna batalo en skalo internacia por siaj klasaj, ekonomiaj kaj politikaj interesoj.
Homo ne komprenanta la klasbatalon, li revis pri la estonta frateco de la nacioj. Tamen li ne komprenis ke tiu cxi frateco de la nacioj en la tuta mondo povas aperi nur en rezulto de klasbatalo post definitiva venko de la proletaro en la tuta mondo. La plua disvolvigxo de la klasbatalo en la movado esperantista plene evidentigxis la tutan erarecon de la etburgxaj opinioj de Zamenhof.
        La proleta movado por lingvo internacia, heredinte la lingvon Esperanto tute nature forjxetis la "interna ideon" de Zamenhof. Kaj tio okazis cxar la proletaro mem estas la ideportanto de la lingvo internacia. "Internan Ideon" de la lingvo internacia prezentas gxuste tiu movforto por socievoluo de la nuntempo, kiu transformas la proletaron je entombiganto de kapitalismo kaj konstruanto de nova socialisma mondo, detruanta cxiujn kontrauxdirajxojn de la regximo kapitalista, inkluzive la naciajn kaj lingvajn.

NI ESTU HOMRAJTA ASOCIO


NI ESTU HOMRAJTA ASOCIO

          Jen la rolo kiun nia movado devus preni sur sin: denunci malobeojn (atencojn) al la Lingvaj Rajtoj. Amnestio Internacia bone zorgas pri la aliaj flankoj de homaj rajtoj: torturo, libereco de politika penso kaj ago, sed versxajne, Amnestio ne fakigxis pri la defendo de lingvaj minoritatoj, altrudo de lingvoj, lingva diskriminacio ktp...           Resume, mi proponas ke ni estu la 'amnestio' pri lingvaj aspektoj de homaj rajtoj. En la mondo ja estas organizoj kiuj defendas la gejojn, virinojn, kiuj kontrauxstaras al rasaj diskriminacioj kiuj protektas ekologion sed mi ne konas organizon mondfame konatan kiu kontrauxstaras al lingva diskriminacio aux al persekutoj al homoj pro tio ke ili parolas (aux ne parolas) iun lingvon. UEA ne estas neuxtrala rilate la lingvan problemon en internacia skalo: jen nia nicxo, kaj jen maniero pligrandigi nian "videblecon" se ni pli aktive protestos pri nunaj atencoj al la lingvaj homaj rajtoj .

ATENCOJ AL LA HOMAJ LINGVAJ RAJTOJ

          Ne malofte oni legas pri tiuj atencoj en gazetoj: Ekzemple, mi legis en brazila gazeto (1997) ke infanaj ciganoj en euxropa lando ne parolantaj la nacian lingvon estis devigataj frekventi lernejon por mensaj handkapuloj. En alia gazeto mi legis ke en usono, patrino estis kondamnita de Justeco pro tio ke sxi parolis nur en la hispana lingvo kun sia filo. Brazilano estis senkulpe arestita en Usono kaj ne povis defendi sin cxar li ne parolis la anglan. En Peruo, la homoj kiuj parolas la kecxuan lingvon estas diskriminaciataj. Mi ankaux legis en gazeto ke en Kosovo, dum kelkaj jaroj la albana lingvo estis uzata en lernejoj, universitatoj, ktp... sed Milosevic ne donis plenan liberecon al kosovanoj uzi la albanan lingvon. Estas multaj aliaj ekzemploj.           Ni esperantistoj devas protesti en tiaj okazoj ekzemple: 1) Antaux kelkaj monatoj en Algxerio, la registaro volis ke la araba lingvo estu parolata de la tuta popolo sed multaj algxerianoj parolas aliajn lingvojn kaj ne volas paroli la araban. 2) En Nigxerio, la diktatoro Sani Abacha lancxis legxon kiu abrupte dekretas ke la franca lingvo estu la alia oficiala lingvo de la lando (simple pro tio ke la diktatoro volas alprokisimigxi al Francio). Do ni lernu protesti, kaj gajni prestigxon kiu havas tiujn kiuj defendas la subprematojn. Nia sinteno estu: ni ne volas ke la homoj nepre lernu esperanton. Nia movado estas movado por la homaj lingvaj rajtoj kaj gxuste pro tio ke ni mem ne volas esti lingvaj diskriminaciantoj ni uzas sennaciecan lingvon praktike en nia internaciaj kontaktoj. Nur organizo kiu ne altrudas nacian lingvon povas defendi linvajn rajtojn.

NI NE ESTU INDIFERENTAJ

          Nia varo estas la homaj lingvaj rajtoj (kontraux lingva diskriminacio) kaj nia rimedo estas esperanto. Protestoj ne postulas multan monon, kaptas la atenton de la amaskomunikiloj kaj motivigas la homojn al kunagado. Ni ne estu indiferentaj kiam ni scios ke homo ie en la mondo estas persekutata kaj suferas pro lingva diskriminacio. La neuxtraleco de UEA cxesu kie okazas malobservoj de la fundamentaj homaj rajtoj, kaj ni esperantistoj ne estu indiferentaj pri la sociaj kaj politikaj nunaj problemoj de la homa vivo. amike Marco Antonio Fuentes

Intervjuo al norvegaj esperantistoj


Mi sendis la suban intervjuon al norvegaj esperantistoj kiuj publikigos gxin en esperanta gazeto kaj disdonos okaze de IJK (Internacia Junulara Kongreso) en Svedio.
 
Demandoj: Unue io pri vi mem, kiu vi estas? Kie vi logxas kaj Kiom vi agxas?
 
Johano: Mi estas Johano (João Manoel Aguilera Junior), kaj estas 42 jaragxa. Nuntenpe krom mia aktivado per kaj por esperanto, cxe brazila sekcio de SCA (Sendependa Centro de Amas-komunikiloj) mi estas besto-protektanto kaj partoprenas la anarkiisman movadon. Mi logxas en urbo Campinas, je 100 km el São Paulo.
  Demando: Kiel vi ekinteresigxis pri la radikala movado?
Johano: Preskaú cxiuj instruistoj pri Geografio kaj Historio estas iomete indignitaj pri la nuna situacio de la mondo en kiu ni vivas. Do, ekde mia universitata studo (jaro 1980) mi simpatiis al anarkiismo, partoprenis strikojn en mia ????g? laboro, protestojn, bojkotojn kaj marsxojn de popolaj movadoj.

Demandoj: Kiel vi eksciis pri esperanto? Kaj kiel vi lernis?
Johano: En jaro 1979, kiam mi logxis en urbo Bauru foj-foje mi axdis pri esperanto. Iam mi prunteprenis libron el la publika biblioteko: “Esperanto sen Instruisto” sed ne volis ellerni la lingvon cxar mi pensis ke neniu homo en la mondo parolis gxin. Sed iun tagon, aperis raporto en la loka gazeto pri la esperanto-movado kaj mi eksciis ke en mia urbo estis inkluzive klubo de esperanto. Mi skribis al la loka klubo kaj gapis kiam mi estis informita ke mia najbaro estis instruisto de esperanto kaj volonte instruos min. Mia instruisto instruis esperanton al mi en lia domo (ne nur al mi sed al kelkaj najbaroj, inkluzive al mia fratino), kaj post ses monatoj mi translokigxis al alia urbo (Campinas) sed ekde la jaro 1979 ni instersxangxas leterojn!
  Demando: Kial vi lernis Esperanton?
Johano: Al mi neniam placxis la usona imperiismo (en kiu la altrudo de la angla lingvo estas parto).  Fakte gxis hodiaux mi rezignas lerni la ang????g?lan. Do, kiam mi eksciis pri la ekzisto kaj reala uzo de esperanto mi entuziamigxis ne nur pro tio ke mi povus komunikigxi kun homoj de aliaj landoj sed pro tio ke mi ne bezonus uzi la anglan, laux mi, ne distingebla ero de la usona imperiismo. Kiam homoj demandas al mi, kial mi lernis esperanton, mi kutime diras ke mi faris politikan decidon kiam mi decidis lerni gxin. Fakte kiam ni decidas lerni (aux ne lerni) iu ajn lingvon ni, konscie aux ne, faras politikan decidon.
  Demando: Kion vi nun faras en via vivo (profesie kaj hobie/politike)
Johano: Profesie, mi estas instruisto pri Historio kaj Geografio sed dum 20 jaroj mi tede laboris en sxtata banko en burokrata afero.
  Demando: Pri la SCA - kiun rolon ludas SCA en Brazilo?
Johano: SCA (Sendependa Centro de Amas-komunikiloj) ludas gravan rolon en Brazilo: gxia cxefa hejm-pagxo em la portugala (kie estas ligilo al esperanta versio) estas vizitata averagxe de cxirkaux 20.000 homoj cxiutage. Kelkfoje ni publikigas raportojn pri faktoj kelkajn tagojn antaux ol la komercaj (burgxaj) amas-komunikiloj.
  ????g? Demando: Kiam ekestis SCA en Brazilo? Kiel? Diru ion pri la nuna organizo, strukturo kiel funkcias... Kiuj planoj estas?
Johano: Sendependa Centro de Amas-komunikiloj estas internacia reto de sendependaj produktantoj de amas-komunikiloj, kiuj estas zorgantaj kaj kompromitataj pri la konstruado de socio libera, egaleca kaj kiu respektas la naturan medion.
Laux la hejm-pagxo mem de SCA: “Sendependa Centro de Amas-komunikiloj estis kreita origine en Seatle kiel alternativa rimedo por raporti pri la eventoj kiuj okazigis la fiaskon de la "Kunsido de la Jarmilo" de MKO (Monda Komerca Organizajxo) en novembro de la jaro 1999. La ideo estis havigi hejm-pagxon en interreto kiu ricevadus kaj konservus videojn, bildojn, sonojn, kaj tekstojn kiuj povus esti publikigitaj kaj reproduktitaj sen kopirajtoj per iu ajn homo aú iu ajn amas-komunikiloj kiuj ne havas komercan profit-celon. Tio kio estis hejm-pagho de sendependaj jxurnalistoj igxis ankaú hejm-pagho en kiu la manifestaciantoj mem povis informadi. Ili komemcis publikigi siajn historiojn kaj disponigi la videojn, la sonojn, intervjuojn verkitajn de ili mem. Dum la kresko de la protestoj kontraú la "tutmondigxo" pligrandigxis, regionaj Sendependaj Centroj de Amas-komunikiloj estis kreitaj cxie kie la "novaj movadoj" aperis. Nuntenpe estas pli ol 70 Sendependaj Centroj de Amas-komunikiloj en pli ol 30 landoj en cxiuj kontinentoj. Sendependa Centro de Amas-komunikiloj de Brazilo naskigxis okaze de disvolvigxo de la organizado de la movado kontraú la tutmondigxo en São Paulo kiu instigis la proteston la 26an de septembro 2000 (S26) ki????g?am kunsidis en Prago MFI (Mona Fonduso Internacia) kaj MB (Monda Banko). En decembro 2000, la hejm-pagho de Sendependa Centro de Amas-komunikiloj aperis kaj ekde tiam ghi klopodas raporti pri eventoj ligitaj al la socia lukto.
Sendependa Centro de Amas-komunikiloj estas ne-komerc-cela projekto kreata nur de volontuloj.
          En Brazilo, Sendependa Centro de Amas-komunikiloj estas reto de kolektivoj disigitaj en diversaj urboj. Cxiu kolektivo disvolvas lokajn projektojn kaj ili cxiuj partoprenas la adminstradon de la hejm-pagxo. Cxiuj kolektivoj organizigxas per ne-hierarkia formo kaj havas la kompromison akcepti la principojn kaj la eldonan politikon. Por formale fondigxi, cxiu kolektivo bezonas almemaú 5 volontulojn, estante almemaú unu el ili teknike kapabla pri informadiko ( aú kun preteco lerni). Tamem, grupoj kun malpli da membroj rajtas kontribui per partoprenoj en diversaj projektoj.
Demando: Kiam komemcis SCA en Esperanto? Kial? Kiom da homoj kunhelpas?
Johano:  En la jaro 2001 kiam mi komemcis agadi cxe SCA, mi eksciis pere de nia nacia diskut-listo (en la portugala) ke estis lingva probleno en la tutmonda SCA cxar multaj aktivuloj plendis pro la uzo de la ????g?angla por kontakto inter la SCA-anoj de la tutmondo. Mi sciis ke en la internacia distuk-listo de SCA (em la angla) estis lancxita propono por ke esperanto estu la lingvo de SCA en la tuta mondo. Kompreneble ne estis interkonsento pri la propono. Mi kredas ke la propono por uzo de esperanto estis lancxita de brazila SCA. Kelkaj sxatis la ideon sed ne lernis esperanton. En la mezo de la jaro 2001 estis intereta kunsido de aktivuloj de SCA-Brazilo kaj mi proponis ke ni almemaú traduku la tekstojn de la hejm-pagxo ankaú al esperanto tiamaniere ke esperanto estos unu el la lingvoj uzata apud la portugala, hispana kaj angla.
          En la komemco de auxgusto de la jaro 2001 estis kreita la traduk-listo de la originalaj tekstoj al esperanto cxe http://lists.indymedia.org/mailman/listinfo/www-esperanto. Gxenerale ni nur tradukas la tekstojn el la portugala lingvo (tekstoj eldonataj de SCA) de la centro de la cxefa hejm-pagxo. Sed se unu el la partoprenantoj de nia traduk-listo proponas aliajn tekstojn el aliaj fontoj, ili estas publikataj se estas akordaj al la eldona politiko de SCA. Estas esperoj por ke iam la esperanta hejm-pagxo de SCA havu plenan auxtonomecon por publikigi kaj eldoni tekstojn. Nuntenpe, en nia diskut-listo de SCA pri tradukado al esperanto estas 21 homoj el diversaj landoj: Francio, Nederlando, Belgio, Italio, Potugalio kaj Brazilo. La ne-portugal-lingvanoj bone kontribuas por la reviziado de la tekstoj. La scipovo de la portugala lingvo estas tute nenecesa por revizio. Fakte estus bone se ekzustus auxtonoman (senaciencan) esperantan sekcion de SCA. Laux mi tiu plano dependas nur de la volo de la tutmonda esperantistaro.
  Demando: Kion vi opinias pri la rolo kiun Esperanto povas ludi en radikala movado?
Johano: En la tria mondo la homa-amasoj (malricxaj kaj de la meza klaso) ne parolas la anglan lingvon cxar la publika lernejo estas fusxa. Multaj “instruistoj” de la angla tie cxi  ne scipovas la lingvon. Nur la ricxuloj povas pagi bonan lernejon por lerni la anglan. Esperanto, estas pli facila ol la angla kaj havas avantagxon ke gxi ne estas ligita al la usona imperiismo. La radikala movado ankoraú ne solvis la lingvan problemon. Vera revolucio okazos en la mondo kiam ni “kontraú la tutmondigxo de la kapitalo kaj por internacia solidareco, ni tutmondigu nian ribelemon kaj lukton per esperanto, lingvo sen-nacia”.
 Demando:Cxu aliaj SCAoj ankaux devus uzi E-on?
Johano: Jes, kompreneble, aliaj SCAj devus uzi esperanton ankaú. Sed tio okazos nur kiam esperantistoj partoprenos kiel aktivuloj cxe siaj landaj SCAj. La granda paradokso de la esperanto-movado konsistas el la fakto ke la propono pri la uzo de esperanto kontraústare al la nuna monda lingva politika ordo estas esence revolucia kaj renversesma ideo sed la plej granda parto de la e-parolantoj konsistas el konservenaj kaj reakciaj homoj. En Brazilo mem estas serioza problemo cxar BEL (Br????g?azila esperanto-Ligo) ne estas religie sendependa asocio sed gxi okulfrape prozelitismas por religio, nome spiritismo. Multaj senreligiaj  progresemaj, maldekstraj, anarkiismaj kaj politike konsciaj esperantistoj en Brazilo ne povas plene partopreni la e-movadon. Mi kaj multaj aliaj estis forpelitaj de la oficiala diskut-listo de BEL cxar ni konstraústaris al la religia (spiritisma) sinteno de gxi.
  Demando: Cxu estas iuj problenoj pri la uzo? Kiel reagas aliulojn, cxu ili subtenas aux pensas ke estas stulte?
Johano: En la komemco sca-anoj ne komprenis kaj antaújugxis al esperanto. Mi argumemtas: se vi ne volas legi tekstojn en esperanto en la hejm-pagxo de SCA, vi ne legu. La hejm-pagxo havas versiojn en 4 lingvoj: vi elektu la lingvo kiu plej placxas al vi. Ni, esperantistoj-volontuloj de SCA fieras ke post la portugala versio, la esperanta versio estas la plej aktualigata versio. En la tria rango estas  la angla versio kaj en la hispana lingvo estas tre malmultaj tekstoj. La SCA-aktivuloj jam ne plu demandas pri la uzo aux ne de esperanto en la hejm-pagxo. La esperanta versio jam estas rigardata kiel parto de la hejm-pagxo. La komercaj kaj burgxaj amas-komunikiloj kelkfoje informas pri la ekzisto de SCA kaj informas ke la pagxo estas disponebla en kvar lingvoj, inkluzive en esperanto (jen nerekta disvastigo pri la praktika uzo de nia lingvo).
  Demandoj: Cxu multaj homoj rigardas la E-ajn pagxojn?
Johano: Mi ne havas statistikojn specife pri la esperanta versio de la hejm-pagxo. Mi nur scias ke la cxefa pagxo en la portugala kie estas la ligilo al la esperanta versio estas vizitata de averagxe 20 mil homoj cxiutage.
  Demando: Cxu vi ricevis ian subtenon de la E-a movado?
Johano: Ni ricevis neniun subtenon de la E-movado. Ecx kontraúe: la esperantaj revuoj, UEA kaj BEL neniam disvastigis pri la ekzisto de esperanta versio de SCA en Brazilo per neglekto aux kasxo de informo, kvankan la informo estas konata de ili.
  Demando: Cxu vi pensas pri vi mem kiel parto de la E-a movado kiu politike agas, aux parto de la politika movado kiu per E-o agas?
Johano: Ambaux asertoj estas bonaj. Mi samtempe aktivas politike (por la rajtoj  de bestoj, gejoj, sendomuloj, senteruloj, indigxenoj, subpremataj homoj, negroj, laboristoj, kaj virinoj kaj por la fino de  kapitalismo), mi tradukas l????g?a raportojn de tiuj movadoj al esperanto kaj mi publikigas la tekstojn en la portugala aux em esperanto en SCA en laboro traduka-aktvula kaj “amas-komunikila”. 
  Demando: Diru ion pri la politikaj radikalaj movadoj en Brazilo? Kiuj inciatioj ekzistas, kiuj movadoj plej gravas? Ni cxiuj auxdis pri Porto Alegre, kaj la urbo, kaj la WSF... kion pensas pri gxi brazilanoj? Kaj kio pri Lula? Pri tio ni cxiuj tre interesas - cxu la radikaluloj en Brazilo pensas ke li povas ion sxangxi, ke li estas "bona"? Kio estas la rilato inter vi kaj li, cxu vi povas subteni lin iel? Aux cxu vi protestas kontraux lin?
  Johano: Mi kiel maldekstra anarkiisto jam delonge ne vocx-donas kaj pensas ke ne estas solvo por la homaro dum ekzistos sxtatoj kaj kapitalismo. La radilakaj movadoj en Brazilo kiel en la tuta parto de la mondo (laux mi) konsistas el tre malgranda kvanto da  homoj kaj ili estas tiuj homoj (maldekstraj) kiuj ne estas membroj aux simpatiantoj de la oficialaj “maldekstraj” partioj. La koncepto de la vorto “maldekstro” laux mi estas tute klara: “cxio kio kunlaboras por la organizado de la homoj en socio”. Radikalulo ne estas tiu homo kiu volas reformi la kapitalisman sistemon por mildigi gxin (reformojn en la kapitalisma sistemo volas la oficialaj “maldekstraj” partioj). Tiuj radikaluloj kiuj volas la finon de la kapitalisma sistemo mi trovas efektive nur cxe????g? la anarkiistoj. Mi konsideras ke la “komunismo” de Kubo, aux Eks-Sovetunio kaj Cxinio ne estas alia afero ol sxtata kapitalismo.
          Pri la nova registaro de prezidanto Luiz Inácio Lula da Silva (Lula) li estas komplica de la internacia ekonomia ordo kapitalisma kaj el gxia regado ni ne povos atendi reformojn al socialismo aux ecx mildigo de kapitalismo. Lula esta lakeo de IMF (Internacia Mona Fonduso), Usono kaj de la monda elito. Li kaj lia partio (laborista partio) perfidis la laboristan klason.
         Pri la Monda Socia Forumo kiu okazis en Porto Alegre, ni anarkiistoj bojkotis aux partoprenis gxin hezite, cxar gxi estis Forumo vertikale strukturita, ne plene demokratia, kontrolita de la sama PT (laborista partio) de Lula (la urbo-domo de Porto Alegre estas regata de PT). En la Forumo de la jaro 2002 okazis “ribelema marsxo” paralele al la oficiala marsxo. Dum la oficiala forumo okazis paralelaj eventoj de vere radikalaj aktivuloj kiuj ne plu volas kapitalismon. La Monda Socia Forumo estas pli kaj pli ia turisma evento por aktivuloj, amuza, sed nur amuza. El gxi ne venos veraj efektivaj proponaj sxangxoj.

REUNIÕES DO MOVIMENTO ESPERANTISTA (NEUTRO?) OCORREM EM LOCAIS LIGADOS AO ESPIRITISMO


No Brasil o movimento oficial em prol do esperanto não é neutro e sim,  intimamente ligado e dependente da religião. O comitê de organização do 41° Congresso Brasileiro de Esperanto, auspiciado pela Liga Brasileira de Esperanto ocorre na sede da União das Sociedades Espíritas Intermunicipal de Campinas (USEIC)  na Rua Antonio Álvares Lobo, 775 em Campinas . Neste local também ocorrem as reuniões do Kultura Centro de Esperanto.

Deu no Estadão no dia 26/3/2006 e é um fato irrefutável:

“tem quem o associe (o esperanto) a uma religião ou outra. No Brasil, chegou a receber o rótulo de "coisa de espírita". Como muitos seguidores dessa religião o consideram a língua do terceiro milênio, que unirá as pessoas no ideal de fraternidade, editam obras e mantêm no site da Federação Espírita Brasileira uma versão do conteúdo em esperanto. Pois não é que um grupo de evangélicos desistiu de um dos cursos oferecidos na Capital mal soube que o dicionário era editado pela Federação? Talvez o nome do autor na capa tenha contribuído para a diáspora: Allan Kardec Afonso Costa.”

Fontes:
1)"Existem outras opções que serão analisadas amanhã (20/05/06), em reunião do LKK, às 15hs., na Rua Antonio Alvares Lobo, 775, Botafogo, em Campinas, SP. Estudamos ainda outras possibilidades de alojamento comum.":http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/05/353567.shtml
2) "Você está convidado vir ao KCE e conversar conosco. Nossas reuniões acontecem em nossa sede, nos fundos da sede da USEIC (Rua Antonio Álvares Lobo, 775, Bairro Botafogo)" fonte: http://www.aleph.com.br/kce/dezanos.htm

O QUE DIZ O ARTIGO 3° do Estatuto  da Liga Brasileira de Esperanto?
Art. 3° - A Liga é neutra em matéria de nacionalidade, raça, religião e política partidária.

Ano 2052: UM OLHAR DO FUTURO


(Brincando com seu computador, meu amigo J.L. – ele insiste que eu não diga seu nome - por um acaso encontrou um programa que o possibilitou um acesso a um arquivo do tempo futuro, mais precisamente a uma série de documentos digitados nos anos 2050.

Infelizmente ele não percebeu exatamente o que ele fez, e agora ele não encontra novamente o caminho para chegar ao tal valoroso documento. Mas tive uma sorte grande porque tendo visto que o texto era sobre comunicação lingüística, ele teve a idéia de imprimi-lo porque ele sabe que tenho grande interesse sobre o assunto. Eis o texto...).



SENHORES JURADOS,

            Vocês ouviram os depoimentos. Não resumirei as provas dos fatos porque seria perda de tempo. Elas são mais do que eloqüentes. Mas quero alertá-los sobre um ponto, ou seja, como que freqüentemente as testemunhas usaram a expressão “como se”: “eles agiram como se não houvesse alternativa”, “como se não houvessem fatos possíveis de serem controlados”, “como se nossa proposta fosse ridícula”,  “como se a língua concernente não existisse”, etc... etc... O retorno a esta palavra, enfatiza, como persistentemente os acusados negligenciaram a realidade. Eles supostamente pertencem  a uma elite política, econômica, cultural, universitária ou social do mundo; eles tinham cargos de grande prestígio e responsabilidade; as decisões deles influíram na vida de todos os habitantes do planeta, entretanto eles agiram sem sentimento de responsabilidade, como se fossem alunos do jardim de infância. E agora – vocês os ouviram – eles podem se defender dizendo: “Nós  não sabíamos”, “Nós  não podíamos imaginar que era assim”.

            Como era possível este desconhecimento? Será que eles nunca viram viajantes em situações desagradáveis por não poderem se comunicar com os habitantes locais? Será que eles não notaram que o investimento de nossa comunidade mundial no ensino de línguas era gigante, mas os resultados miseráveis? Quando eles participavam de reuniões internacionais eles não tinham consciência que intérpretes estavam nos guinches, que a voz ouvida não era a do orador, que o uso simultâneo de tantas línguas necessariamente custava muitíssimo? Será que eles não sabiam que por todo o mundo milhões e milhões de crianças estressam seus cérebros tentando dominar a língua inglesa, a qual se mostra tão esquiva, que em média, após 7 anos de aprendizado com quatro horas por semana, de cada 100 alunos, apenas um é capaz de eficientemente usá-la? Será que eles não leram nos jornais sobre os aviões que sofreram acidente  pela não comunicação lingüística entre a torre de comando e o piloto?. Alguns deles têm o inglês como língua materna. Será que eles nunca se sentiram superiores em relação aos estrangeiros com os quais eles falavam, e será que eles nunca se perguntaram se isto era normal e justo? Outros não tinham o inglês como língua materna. Será que estes nunca se sentiram inferiores aos seus colegas de língua inglesa? Será que estes nunca sentiam aborrecidos numa discussão, porque as palavras necessárias não lhes vinham na memória, enquanto que os outros podiam explorar todas as riquezas de sua língua materna? Como é possível viver em nossa sociedade e não perceber que o problema lingüistico existe?



INDIFERENÇA ESCANDALOSA

Vamos supor algo impossível e imagine que eles conseguiram viver uma vida internacional, nunca reconhecendo os aspectos negativos da realidade lingüistica. Em seus níveis na sociedade, será que eles poderiam competentemente ter responsabilidades em escala mundial, não sabendo como a comunicação funciona? Era o dever deles saber, ainda mais porque eles  tinham o dinheiro e os empregados para coletar informações, para organizar pesquisas, se necessário. O motivo pelo qual eles não sabiam é que o tema não os interessava. E isto não os interessava por falta de compaixão: eles não eram capazes de fremir com o sofrimento; cumplicidade com o semelhante não havia neles. Com uma indiferença escandalosa eles ignoravam a sorte de milhares de refugiados   e trabalhadores estrangeiros , onde  a incapacidade de se entenderem, pela falta de uma língua comum, era a fonte de injustiça e miséria psicológica, e até de morte. Vocês ouviram as testemunhas.                Não vai ser fácil esquecer o caso do hospital alemão, onde 50 por cento dos pacientes morreram após enxerto, apenas porque, por falta de uma língua comum com os empregados do hospital e enfermeiros, eles não entenderam as instruções dadas para eles. Estas realidades, nossas “elites” ignoraram. Se a polícia tratou injustamente um estrangeiro porque este não conseguia fazer se entender, isto não incomodou a elite. Se o diretor de uma pequena empresa não conseguiu receber para a sua companhia um contrato importante porque o seu nível de inglês não era adequado para o tratado, por que isto as perturbaria? Se o dinheiro muito importante para toda as espécies de objetivos sociais foi abundantemente jogado no abismo profundo da comunicação lingüística burocrática, sobre isto eles assobiaram. E no entanto! Será que não era uma de suas responsabilidades escolher humanamente, o que fazer com o dinheiro recebido dos cidadãos?

            Pegarei apenas um exemplo, entre os muitos dos quais poderia citar. Enquanto os acusados tiveram o poder , muitas crianças africanas morreram de desidratação: esta falta de água no organismo foi tão estrema que as crianças não podiam produzir lágrimas quando elas deviam chorar. Curar uma criança custava apenas 5 centavos de dólar. Mas não foi possível  encontrar dinheiro para salvar crianças que foram lançadas neste horror. Não é estranho que ao mesmo tempo, a União Européia diariamente gastava  milhões de dólares para traduzir a carga diária de 3 milhões de palavras?

Quando os acusados foram informados sobre as tragédias diárias , por exemplo sobre a fome mundial, com uma compaixão aparente, eles balançaram a cabeça a se lamentarem sobre a falta de dinheiro, mas fizeram isto sem sentir algo errado nestas organizações que traduzem milhões de palavras ao custo de 2 dólares por palavra. Que elite é esta? Será que não é evidente até mesmo para uma pessoa simples que aquilo que se gasta com um objetivo não é disponível para outro? E que, como resultado, definir prioridades convenientes é o dever moral mais sério?

Apesar disto, em todas as organizações internacionais, e delas existem muitas, eles nunca exitaram em atribuir gigantesca  quantidade de dinheiro aos serviços lingüisticos. Aliás, nunca veio na cabeça deles a idéia  de efetivar estudos objetivos sobre quanto os multifacetários problemas lingüisticos custam para a sociedade mundial e quais as maneiras de resolvê-los. A sociedade poderia ser lingüisticamente melhor organizada? Eis uma pergunta que eles nunca fizeram para si. “Nós fizemos aquilo que era possível. Não havia outra solução”, eles afirmam.



SOLUÇÃO EXISTIA HÁ TEMPOS

            Será verdade que não existia outra solução? Mas o Esperanto existia! Ele já era usado há um século. Para aqueles que mostrara-se suficientemente sábios para apropriá-lo, ele proporcionou comunicação admirável sem obrigar a investir nem mesmo um vintém em serviços lingüísticos, sem discriminação entre os povos e após um investimento de tempo e dedicação moderados (já era sabido que 6 meses de Esperanto conduzia a um nível de comunicação  igual ao que se gasta para seis anos de inglês). Mas para os distintos membros de nossa “elite”, esta alternativa, esta maneira de resolver o problema lingüistico com uma relação custo-benefício mais favorável, simplesmente não existia. Quando alguém chamava a atenção sobre  ele - e isto acontecia com freqüência; as provas estão em vosso processo – eles sistematicamente impunham uma série de argumentos, sempre os mesmos, sempre excludentes, nunca tendo controlado tal validade.

            “O Esperanto não funciona”, eles diziam, enquanto que era fácil participar de uma reunião internacional ou um Congresso em Esperanto para descobrir que este instrumento de comunicação lingüistica funciona melhor que qualquer outro sistema rival, seja o inglês, seja a tradução simultânea, ou outro qualquer.

“Ele é artificial”, eles diziam, se recusando a, quando convidados, verem crianças brincando e rindo em Esperanto com uma tal espontaneidade de expressão, que a afirmação deles se revelaria logo preconceituosa, e não achando  estranho o fato de se falar em microfones e escutar por fones de ouvido a voz de um outro, que não o   falante que, (vocês reconhecerão)  não se impõe como uma maneira natural de se comunicar.

“Ele não tem cultura”, eles afirmavam, nunca tendo lido uma linha de um poema em Esperanto, não sabendo nada sobre o desenvolvimento do teatro em Esperanto,  ou literatura, nunca tendo ouvido uma palestra nesta língua.

            “O Esperanto é rígido e pobre de expressão”, eles repetiam, nunca tendo o submetido a uma análise lingüistica, o que os obrigaria a concluir que ele é mais flexível e rico em expressões, graças a plena liberdade de combinar elementos do que muitas línguas de prestígio.

“Ele não é uma língua viva”, eles argumentavam não sabendo nada sobre a comunidade  que diariamente o usa, e nunca se perguntando, quais são  os critérios de vida lingüística, e se o Esperanto responde a eles ou não.

“Seria lamentável se os povos tivessem que abrir mão de suas próprias línguas para apropriar um novo como este” eles diziam, não se interessando pelo fato que o Esperanto nunca teve como objetivo substituir as outras línguas, mas era simplesmente um recurso prático  de superar a barreira lingüistica, assim como o latim na Europa da Idade Média, e ignorando as informações sobre mortes de línguas (morria uma língua a cada semana nos anos 2000) causadas pela destruição eficiente de algumas assim chamadas “grandes” línguas, principalmente a língua inglesa, a qual muitos socio-lingüistas chamavam de “língua assassina”.



FELIZMENTE OCORREU UMA REVOLUÇÃO LINGÜÍSTICA

         

            Não haveria sentido insistir sobre estes preconceitos. Vocês sabem o quanto eles valem. 25 anos depois que os cidadãos  se rebelaram e a revolução lingüistica ocorreu, vocês estão vendo quanto o mundo evoluiu para uma melhor condição de vida. Vocês agora podem viajar pelo mundo sem se deparar com o problema de comunicação. As organizações internacionais não devem mais enfrentar os custos astronômicos de seus serviços lingüisticos, de maneira que gigantescos recursos financeiros ficaram disponíveis para projetos sérios e substanciais. Jovens de todos os lugares do mundo, depois do exame do curso básico de Esperanto estudam outras  línguas escolhidas pelos seus próprios gostos ou interesses, o que acelera a diversidade de pensamento de toda nossa sociedade (fator de fecundação de idéias), ao mesmo tempo favorecendo uma compreensão autêntica e recíproca.

            Os muitos efeitos negativos do monopólio do idioma inglês sobre a vida cultural de muitos povos ( na maioria das escolas do mundo era praticamente impossível estudar outras línguas estrangeiras) cada vez mais desaparecem. Refugiados e trabalhadores estrangeiros agora são entendidos, para onde quer que eles vão. Especialistas participantes de discussões internacionais são escolhidos por suas competências, e não mais pelas suas capacidades de usarem o inglês, que excluía muitos, porque como vocês sabem, muitas pessoas talentosas em matemática e tecnologia, só com muito esforço conseguem aprender outras línguas.

            Na Inglaterra, EUA, e outros países de língua inglesa, estudantes descobrem culturas estrangeiras sob um novo ponto de vista, e o dever de aprender um novo idioma rigoroso, mas fácil e psicologicamente mais aceitável, tem um efeito positivo para uma abertura para o mundo e para seus desenvolvimentos culturais e intelectuais. Na Índia, o conflito entre as partes, de um lado os favoráveis ao inglês e de outro lado do hindi parou de existir, e mesma sorte tiveram os conflitos lingüisticos na Bélgica, República dos Camarões, Nigéria e muitos outros países.

            Na verdade, a humanidade deve muitíssimo àqueles que fizeram pressão aos países, para que estes organizassem cursos de Esperanto pelo mundo todo. Mas devemos um agradecimento especial aos secretários de governo que insistentemente se esforçaram  para que vigorasse a primeira Declaração, que oficialmente restabeleceu a verdade sobre o Esperanto. Por causa dela,  nossa língua internacional, pela primeira vez foi vista segundo uma perspectiva justa. Quando o público tomou conhecimento que durante décadas  foi enganado, a língua começou a fazer sucesso, por isto ela rapidamente foi divulgada até mesmo antes que seu ensino geral fosse organizado.



GRAVE RESPONSABILIDADE



            Se achei útil citar algumas enormes vantagens, que agora todos nós gozamos pela mudança de atitude em relação ao Esperanto, meu objetivo é acentuar a responsabilidade dos acusados pelo fato que esta mudança ocorreu tão tarde. Já em 1920 a Liga das Nações realizou uma pesquisa objetiva sobre o tema e recomendou aos Estados-membros em todo o mundo organizarem o ensino do Esperanto, para que ele se tornasse a Segunda língua de todos. A Liga percebeu isto como a melhor maneira para que se tivesse efetivado uma comunicação igualitária e  internacional, que garantisse ao mesmo tempo a sobrevivência e prosperidade de todas as línguas e culturas. Mas eles ignoraram a recomendação da Liga. As boas qualidades do Esperanto sempre foram visíveis a qualquer um que fosse intelectualmente honesto e de interesse claro.

            Já nos anos 1930, a literatura em Esperanto e o uso da língua em encontros internacionais estava tão desenvolvido, que negar seu valor cultural e humano era possível apenas  se resignasse a própria honestidade ou o dever de ser objetivo. Então, durante décadas, a “elite” se absteve. Quando alguém fazia uma proposta com o objetivo de acelerar o uso do Esperanto, os membros desta assim chamada elite reagia de maneira totalmente contrária e sem basear suas respostas em considerações objetivas. Nunca eles tinham a idéia que eles deveriam provar suas afirmações. Que o Esperanto valia nada, isto eles consideravam evidente. Eis porque eles são dignos de serem condenados. Este processo deve ser útil como exemplo para mostrar ao povo do mundo, que a falta de um sistema democrático, a eliminação da objetividade, a recusa de controlar os fatos, a decisão de rejeitar uma proposta antes de estudá-la, a indiferença  diante do sofrimento e a negligência com referência às prioridades baseadas em considerações éticas não podem ficar na impunidade.

            A sociedade tem direitos. O direito à comunicação é um direito que a gente deve respeitar seriamente, assim como o direito à um tratamento igualitário. Quando os acusados dominavam a vida social, eles manipularam a opinião pública de uma maneira sutil, impondo nas mentes das pessoas uma série de equívocos, que em grande parte contribuíram para que a língua internacional neutra Esperanto tenha sido introduzida na sociedade de uma maneira tardia.

            À todos vocês atualmente, é evidente que pessoas colocadas em situação de inferioridade, porque elas não podiam se exprimir numa língua estrangeira, eram vítimas de um sistema de comunicação mundial. Mas a assim chamada elite obrigava a olhar estas pessoas como culpadas. Culpadas pela tendência de não estudarem, por preguiça ou inferioridade cerebral. “ Se eles não são capazes de se comunicarem, os culpados são eles mesmos: era obrigação deles estudarem línguas”, eles insinuavam, nunca perguntando a si próprios se dominar uma outra língua nacional é possível para todos, e se não existe uma alternativa mais propícia para a ordem lingüística mundial, ou melhor dizendo: desordem.



NÃO PODEMOS ABSOLVÊ-LOS



            Senhores, nada poderá inocentar os acusados.

            Eles vivem num século no qual  na justiça, assim como na ciência, nenhuma conclusão é tirada antes que os fatos sejam analisados. À despeito deste princípio, eles nunca se integraram sobre os fatos relativos ao Esperanto em seus raciocínios, e eles repetidamente concluíam que não havia sentido buscar uma sistema melhor de comunicação entre os povos do que o caótico e desigual sistema que reinava em todo lugar.

            Eles vivem num século no qual quando muitas possibilidades se apresentam, devem-se compará-las para se poder escolher as propostas que apresentam as melhores vantagens e as que têm menos desvantagens. Vocês viram estas pessoas. Perguntados quando eles compararam na prática segundo uma série de critérios pré definidos  os diversos sistemas de comunicação internacional, inclusive o Esperanto, eles vergonhosamente olhavam para o chão. “Sobre isto a gente nunca pensou”, murmurou um.. Mas eles confessaram que em outros campos, quando eles tiveram que usar o dinheiro dos que pagavam impostos ou dos acionistas, eles lançavam editais para ofertas ou propostas, ou de outra maneira, consideravam uma série de possibilidades para compará-las e escolher a melhor.

            Eles vivem em um século em que a discriminação é ilegal. Mas suas atitudes em relação às pessoas que tentavam torná-los conscientes  sobre as potencialidades do Esperanto, e sobre sua realidade, freqüentemente eram discriminatórias; eles logo despachavam estas pessoas sem as escutá-las, sem ler ou considerar de uma maneira adequada seus documentos. Assim aconteceu de uma maneira notável como vocês descobriram ouvindo as testemunhas, junto à União Européia, mas muitos outros exemplos poderíamos apresentar à vocês. Nenhum fato que os possa absolvê-los existem em favor deles.  Até agora há uma dúvida se eles têm consciência sobre a amplitude de frustrações, dos sofrimentos, dos inúteis desperdícios de tempo e energia, das perdas, do desperdício não aceitável e dos sofrimentos que foram causados por causa da ignorância sobre as realidades lingüísticas deles. Todos os aspectos negativos da desorganização lingüistica, os quais evitar seria tão fácil, como prova nossa atual maneira de viver, eles olhavam como inevitável, assim como a escravidão, durante séculos era vista como algo normal, de um tal modo, que até mesmo os escravos, viam como um aspecto inevitável da vida. Durante muitas décadas, as inúmeras vítimas da desordem lingüistica mundial eram mentalmente manipuladas para que elas acreditassem que para tal situação não havia alternativa.  Isto é imperdoável, haja visto o nível intelectual dos responsáveis, assim como se levarmos em consideração  seus treinamentos, científico e político, que necessariamente lhes educaram  sobre a necessidade de serem objetivos e controlarem os fatos.

Senhores jurados , vocês devem para a justiça e também paras as gerações futuras uma declaração clara e contundente que aquelas pessoas foram culpadas. O presidente do tribunal agora os orientará sobre como...

(aqui o texto se interrompe abruptamente)

  Texto originalmente escrito em esperanto por Claude Piron que permitiu a tradução para o português e publicação.

  Traduzido por João Manoel Aguilera Júnior

A PROPOSTA POLÍTICA RELIGIOSA E IDEOLÓGICA DA LIGA BRASILEIRA DE ESPERANTO


O movimento esperantista pode ser dividido em duas partes: antes e depois da Internet. Antes da Internet, os caciques ou xerifes do movimento em prol do esperanto transformaram o movimento esperantista numa espécie de oligarquia que, de maneira autoritária manipulavam os jornais e revistas do movimento sempre impondo idéias conservadoras e reacionárias. Agora com a Internet é diferente, porque a livre circulação de idéias é assegurada e instituições como a Liga Brasileira de Esperanto, não podem mais ter o monopólio da informação através de revistas como a “Brazila Esperantisto (BE)”.

Carlos Andrade Pereira reconhece na revista BE que “alguns esperantistas temem o território muito livre da Internet, onde as pessoas, ao que parece, têm o mesmo poder, onde a autoridade não se encontra no título, idade ou cargo, mas nas idéias dos esperantistas”.

Aproveitando esta liberdade SEM PRECEDENTES que não teria na revista BE vou tecer algumas considerações sobre como eu vejo proposta política da Liga Brasileira de Esperanto, analisando a ideologia subjacente nos artigos da revista BE, órgão da Liga.

“O MUNDO NÃO SABE QUE O ESPERANTO EXISTE PORQUE A GENTE NÃO SABE DIVULGAR”

O movimento esperantista é um paradoxo: temos uma língua que tem um caráter subversivo e revolucionário, mas temos uma “ONG” (a Liga) que é conservadora e reacionária. A maioria dos falantes do esperanto no Brasil, muito conservadores e religiosos, se recusam a reconhecer que o esperanto é uma língua que vai contra a ordem político-lingüística mundial, e sua popularização significaria uma revolução econômica pois estamos falando no destino de milhões de dólares que deixariam de ser canalizados para alguns países, grupos econômicos e classes sociais e seria dirigido para outros “bolsos”. Estamos falando que milhões de pessoas que vivem do ensino do idioma do país imperialista do Norte teriam que mudar de profissão ou aprender outra língua se a atual política lingüística mundial fosse alterada.

Mas os esperantistas preferem não entrar no cerne da questão de que o esperanto não é uma língua neutra e que o problema da paz não será resolvido APENAS com uma mudança na política lingüística mas sim com uma melhor distribuição de riquezas no mundo.

Então a Liga comete um erro terrível ao acreditar que a omissão sobre o esperanto no mundo parte de causas internas do movimento esperantista (“não divulgamos o esperanto com eficiência) e não de causas externas (o esperanto é um idioma libertário e perigoso que representa uma ameaça aos donos do poder no mundo).

Neste caminho parte o Incrível Exército Brancaleone numa cruzada, “num plano ambicioso(?)” proposto pelo presidente da Liga, Licio de Castro para o objetivo de "colocar o esperanto nas ruas".

MANIQUEÍSMO E INGENUIDADE: OS VERDADEIROS E OS FALSOS ESPERANTISTAS – “OS HOMENS INTELIGENTES RECONHECERÃO O ESPERANTO”

Segundo Alberto Flores (BE), os “verdadeiros” esperantistas, nunca param de trabalhar pelo esperanto. Ele acredita que existe um “sentimento fraterno” que é a alma do esperanto, e que nunca morre”, e que o esperanto é um “ideal nobre” e “uma ponte de amizade entre os homens. Com muita ternura e pouco objetividade ele acredita que “devemos ter “fé” e “trabalhar” porque certamente “os homens inteligentes de todo o mundo reconhecerão o valor e a utilidade de nossa bela língua”. Fica assim criado um maniqueísmo onde há verdadeiros e falsos esperantistas. Ingenuamente devemos esperar que os homens “inteligentes” reconheçam o esperanto. Não lhe passa pela cabeça que o nosso movimento é uma luta política coletiva em prol de uma nova política lingüística mundial.

O CAPITALISMO E A IGREJA HOMARANISTA: ASSIM O ESPERANTO VENCERÁ!

John Lennon tinha um sonho: um mundo sem religiões e sem países. Mas num mundo onde os religiosos se matam em nome de Deus, a postura da Liga através da revista BE é que a “vitória final” do esperanto passa pelo uso do mesmo pelas seitas ou religiões cristãs ocidentais. O público alvo da Liga são os espíritas, mas para dissimular um pouco faz acreditar que quer divulgar o esperanto entre católicos e evangélicos. Isto pode ser confirmado no boletim “A Semente” (este nome lembra a parábola do semeador da Bíblia) na página 7 e 8.

Fabrício Valle (BE) acredita que já que os capitalistas não usam o esperanto, nós devemos então nos tornarmos os capitalistas (empresários) e então usar o esperanto. Devemos ser discípulos de Bill Gattes, segundo Fabrício. Neste caso teríamos que primeiro mudar de classe social, deixar de sermos trabalhadores para ser capitalistas, deixar de sermos oprimidos para sermos opressores.

“Devemos ser pragmáticos”, afirma ele, que acredita que devemos conciliar as idéias ingênuas da Igreja Homaranista (uma seita que existe dentro do esperanto) com a aplicação do Esperanto até mesmo no capitalismo selvagem.

AS RELIGIÕES NA DECADENTE CIVILIZAÇÃO CRISTÃ-OCIDENTAL!

Afonso Soares (BE) acredita que neutralidade existe e ela consiste no respeito à todas idéias não-neutras. Na realidade, neutralidade política não existe (pode haver sim neutralidade partidária). Quanto às religiões, este tema deveria ser “estranho” ao movimento esperantista, porque nós somos apenas um movimento por uma nova ordem lingüística mundial. Se fosse o caso deveríamos dar atenção ao Islamismo que é a religião que mais cresce no mundo e não à nossa decadente civilização cristã-ocidental.

LIGA BRASILEIRA DE ESPERANTO S/A: É POSSÍVEL MELHORAR O CAPITALISMO! O CAPITALISMO VAI AJUDAR O ESPERANTO!

A meu ver, a definição abaixo sobre no que pode se transformar uma ONG se encaixa perfeitamente no caso da Liga. A ideologia da Liga está implícita de forma subjacente nos artigos da BE quando se afirma que através da “atitude empresarial” dos esperantistas, o esperanto vencerá:

“As ONGs muitas vezes alimentam fortes distinções entre os especialistas e os dirigentes no topo, e o membro comum. Os membros muito freqüentemente apenas participam no sentido mais irrisório, são pouco encorajados a se informarem e a tomarem iniciativa, sendo tratados como fonte de dinheiro que é contatada apenas como parte de uma campanha para levantar fundos. Os escritórios centrais das ONGs normalmente seguem padrões hierárquicos, indistinguíveis daqueles das corporações transnacionais. A maioria delas considera que o capitalismo é reformável, e normalmente se descrevem como organizações que trabalham para ajudar o atual sistema sócio-econômico a superar seus problemas ecológicos e sociais e a seguir mais suavemente. Aspectos de tal estratégia incluem uma tendência a assumir o manto de "legítima" voz, sem hostilidade ao governo, e uma dependência da mídia capitalista. “

A MÍDIA CAPITALISTA E O ESPERANTO


Os meios de comunicação e a mídia capitalista em geral, que são instituições à serviço dos donos do poder, ocultam na maioria das vezes a existência do esperanto, e em muitos casos desinformam os leitores com idéias preconceituosas e sem fundamentos sobre este idioma.

    A imprensa burguesa não poderia ser simpática ao esperanto porque afinal os donos do poder não desejam que a maioria dos trabalhadores sejam bilíngües ou tenham acesso livre à outros povos e culturas. Para dominar  é preciso dividir, mas  o objetivo do esperanto é unir e libertar (os oprimidos).

    Os donos do poder sabem que a política lingüística com ênfase ao idioma inglês, os eternizarão no poder porque afinal são sempre os ricos que terão condições de aprender bem o inglês e manterá a maioria da população monoglota. As elites nacionais aprenderam bem o dever de casa e colocam seus interesses acima dos interesses da maioria das pessoas e das culturas, pouco se importando se a atual política lingüística mundial levará à morte centenas de idiomas no mundo.

    Mas a elite conta também com outra instituição  à serviço do poder para omitir o esperanto: a escola (onde as crianças são doutrinadas que o idioma inglês já é internacional e o esperanto simplesmente omitido).

    O Esperanto, anárquico por natureza torna-se insuportável para os donos do poder, autoritários e hierárquicos pois este idioma  é pura desobediência civil, Falar esperanto é algo meio subversivo ou revolucionário porque o uso do idioma rompe as estruturas hierárquicas do poder pois os falantes do esperanto de diversos países falam em nível de igualdade (horizontal) e o idioma do rico país imperialista do norte é tratado apenas como um dos idiomas do planeta, que deve merecer a mesma consideração que os demais (nem mais nem menos): o inglês deve ser tratado como um idioma que não é pior nem melhor que os outros, apenas diferente.

    Para aqueles que são defensores da dominação, da hierarquia, da estrutura do poder, da competição e do capitalismo selvagem, o esperanto deve ser negligenciado.

DIÁSPORA E SECTARISMO RELIGIOSO NO MOVIMENTO ESPERANTISTA


A imprensa corporativa e todo mundo já sabe: pessoas que não são espíritas não se sentem confortáveis no movimento esperantista. Há uma diáspora (êxodo) no movimento esperantista no Brasil de pessoas que não são espíritas.
            Reuniões e encontros do movimento esperantista são realizados em centros espíritas ou locais espíritas.
            Deu no Estadão  no dia 26/3/2006 e é um fato irrefutável:
            “tem quem o associe (o esperanto) a uma religião ou outra. No Brasil, chegou a receber o rótulo de "coisa de espírita". Como muitos seguidores dessa religião o consideram a língua do terceiro milênio, que unirá as pessoas no ideal de fraternidade, editam obras e mantêm no site da Federação Espírita Brasileira uma versão do conteúdo em esperanto. Pois não é que um grupo de evangélicos desistiu de um dos cursos oferecidos na Capital mal soube que o dicionário era editado pela Federação? Talvez o nome do autor na capa tenha contribuído para a diáspora: Allan Kardec Afonso Costa.”

    Muitos esperantistas (espíritas) afirmam que o esperanto não foi criado por Zamenhof, mas pelos espíritos no mundo espiritual. Zamenhof seria apenas uma espécie de profeta que teria reencarnado para divulgar o esperanto.
    Como uma língua que tem pretensões de ser internacional pode ter um movimento sectário
que exclui pessoas de outras religiões?

ESPERANTO É IDIOMA QUE UNE HOMOSSEXUAIS


 O Esperanto é a uma língua internacional falada por pessoas em todos os continentes. Sua primeira gramática foi lançada pelo lingüista Lázaro Luiz Zamenhof.
            A finalidade deste idioma é facilitar a comunicação internacional. Já existem diversas associações de diferentes setores da sociedade como os trabalhadores, cientistas, artistas etc... que usam o esperanto para integrar pessoas de diferentes nacionalidades. Uma destas associações é a Liga dos Homossexuais Esperantistas.
            O estatuto da Liga dos Homossexuais Esperantistas (LSG) aprovado na Inglaterra em 1979 diz que o idioma a ser utilizado por esta Organização Não Governamental (ONG) é o idioma Esperanto.
            Os princípios básicos da Liga dos Homossexuais Esperantistas estão baseados na Declaração Universal dos Direitos do Homem, na luta contra a discriminação lingüística e contra a discriminação aos homossexuais, aos falantes do esperanto  e aos grupos esperantistas.
            OBJETIVOS
            Os objetivos desta associação são:
- Criar uma solidariedade internacional e incentivar colaboração entre seus membros, apoiando a ação pela divulgação do Esperanto e pela plena aceitação dos homossexuais na sociedade.
- Trabalhar pela eliminação da discriminação lingüística, informando à respeito do problema lingüístico mundial e sua solução através do uso do Esperanto nos meios homossexuais.
- Lutar pela eliminação da discriminação aos homossexuais, informando a respeito do significado e dos problemas dos homossexuais na comunidade dos falantes do esperanto.
OUTRAS INFORMAÇÕES
            A Liga dos Homossexuais Esperantistas possui membros em dezenas de países. Todo o ano é realizado um encontro internacional, geralmente por ocasião dos Congressos Mundiais de Esperanto. Também é editado em jornal bimestral todo em esperanto e mantida uma página sobre a Liga dos Homossexuais Esperantistas na Internet. De maneira que para os homossexuais falantes do esperanto a barreira lingüística não é um empecilho para a comunicação internacional.

OPINIÃO DE SAPIR


A ANÁLISE SOBRE A NECESSIDADE DE UMA LÍNGUA INTERNACIONAL PELO LINGÜISTA EDWARD SAPIR
    O lingüista norte-americano Edward Sapir (1884-1939) foi o iniciador, na lingüística norte-americana, do movimento estruturalista. A sua importância e a repercussão de suas idéias crescem cada vez mais. Veja o que Sapir afirmou sobre a necessidade de uma língua auxiliar internacional: Sapir afirma que “pouca divergência há sobre a vantagem de uma língua auxiliar internacional e aponta duas considerações:
     l) É o problema puramente utilitário de facilitar a necessidade crescente de comunicação no seu sentido mais elementar.
    2) Uma língua auxiliar internacional deveria servir como uma ampla base para todo tipo de entendimento internacional, o que significa evidentemente, em última análise, todo tipo de expressão do espírito humano que ultrapasse interesses locais, o que por sua vez redunda em incluir toda e qualquer sorte de interesses humanos.”    
POR QUE NÃO USAR O INGLÊS?
    Sapir afirma que há uma parcela de ilusão ao se propor o inglês como língua internacional e afirma que o “o espírito moderno não se dará por satisfeito com uma língua internacional que apenas estenda as imperfeições e os provincianismos de uma língua em detrimento das outras” e analisa a atitude de inconformismo de outros povos diante da expansão ou imposição de uma língua nacional que não é a sua, salientando que “a psicologia de uma língua que se impõe ao indivíduo por força de fatores que escapam ao controle dele, é muito diferente da psicologia de uma língua que se aceita por livre e espontânea vontade”. Sapir afirma também que “A criação comum exige o comum sacrifício, e talvez não seja argumento dos mais fracos, em favor da língua internacional, o fato dela ficar, pelo menos na aparência , igualmente fora das tradições de todas as nacionalidades.
    A dificuldade comum em aprendê-lo dá-lhe um caráter impessoal e se faz calar o ressentimento que nasce da rivalidade.” Por outro lado, Sapir analisa que nem o francês, nem o latim, envolvidos em questões nacionalistas e religiosas foram soluções definitivas para o problema da comunicação internacional, que o problema não foi inteiramente resolvido e menciona que não há razões para acreditar que o inglês se sairia melhor neste campo, enfatizando que uma língua internacional não pode estar relacionada a nenhum localismo ou nacionalidade. “A atitude de independência, em face de uma língua artificial que falantes de todas as nações terão que adotar, é em verdade uma grande vantagem, porque concorre para o homem se sentir dono da língua em vez de seu escravo.
    O acatamento geral a uma forma de expressão que não se identifica com nenhuma unidade nacional, provavelmente há de ser um dos mais poderosos símbolos da liberdade do espírito humano que o mundo jamais conheceu”, afirma Sapir e acrescenta que na medida que nações orientais ganham destaque e importância no mundo moderno, fica mais difícil impor um idioma nacional como o inglês ou o francês. Sapir cita uma outra vantagem de uma língua planejada sobre as línguas nacionais: “É a abolição do receio, no uso público, de uma língua que não é a nativa do falante” analisando que os nativos que se arvoram em guardiões da língua se sentem numa situação privilegiada e superior ao passo que aquele que tenta falar uma língua que não é a sua língua materna fica numa situação muito inferior perante o nativo. Resumidamente, Sapir afirma que “Uma língua internacional, bem construída, é muito mais fácil de se aprender que quaisquer línguas nacionais, aguça a perspicácia do indivíduo na estrutura lógica da expressão, de uma maneira que nenhuma destas outras faz, e põe o indivíduo na posse de uma grande soma de material léxico, que poderá ser útil na análise da própria língua do falante e na maioria das outras que ele possa aprender”.

Fonte: Livro "Lingüística como Ciência" - Editora Acadêmica edição de 1969

LINGÜÍSTICA: UMA CIÊNCIA À SERVIÇO DO PODER


Enganam-se aqueles que acreditam que a ciência é um conhecimento “descompromissado” ou neutro. A ciência, financiada pela classe dominante e pelos estados poderosos bem como as principais instituições, a escola, a universidade, e os meios de comunicação só podem estar à serviço do poder, da elite, ou seja: da classe dominante.
Observamos que a “Lingüística Oficial” ou acadêmica é uma ciência que dá respaldo à atual política lingüística mundial baseada na hegemonia econômica, ou seja, na lei da selva: quem pode mais, impõe seu idioma.
As Universidades, que deveriam ser um laboratório para se encontrar soluções para o problema da barreira lingüística, se transformaram em próprias executoras da atual política lingüística reacionária subjacente, que impõe a língua do país hegemônico para todo o planeta, muitas vezes usando um argumento determinista: por que sempre foi assim, assim sempre será (sempre o povo forte oprime o fraco, é a regra que não podemos fugir).
Nas Universidades ensina-se na maioria das vezes os idiomas dos países poderosos. Para muitos lingüistas o esperanto é um tabu, considerado uma língua “artificial” muito embora os linguistas mesmos não definem com precisão o conceito de natural ou artificial.
“O lingüista lida com as línguas naturais” (Jonhs Lyons, Linguagem e Lingüística).
A maioria dos lingüistas do Brasil e do mundo não têm idéias próprias sobre o esperanto: apenas repetem como papagaios os preconceitos que leram em livros editados por outros lingüístas (estadunidenses) que criaram uma ciência lingüística à serviço da classe dominante. Para muitos lingüistas o esperanto é um tabu lingüístico: muitos evitam falar neste assunto assim como alguns padres evitam falar no diabo. A ciência virou uma espécie de religião, com seus próprios dogmas. Na realidade, deixou de ser ciência e se transformou em cientificismo.
Fica assim estabelecida um elo entre idioma, poder, dominação, imperialismo, ciência e lingüística numa harmonia que permite a manutenção da ordem lingüística mundial.

DIREITOS LINGÜÍSTICOS TAMBÉM SÃO DIREITOS HUMANOS


Recentemente se comemorou os 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e neste contexto vários setores da sociedade têm devidamente discutido várias formas de discriminação que os indivíduos ainda sofrem. No entanto um tipo de discriminação que tem sido negligenciado é a discriminação lingüística.
O artigo 2 da referida Declaração afirma que todas as pessoas podem usufruir de todos os direitos e liberdade estabelecidos na Declaração, sem distinção de qualquer tipo, especialmente de raça, cor, sexo, LÍNGUA, religião, etc... No que se refere à discriminação por língua o que se verifica é que atualmente é um tipo de discriminação muito sutil, mas muito freqüente infelizmente.
Devido à hegemonia econômica e política algumas línguas e os povos que as falam acabam se privilegiando e ficam numa situação muito favorável, mas a grande maioria da população mundial é vítima deste tipo de discriminação, têm que investir muito dinheiro e anos de sacrifício para atingir apenas um grau razoável de domínio da língua da nação hegemônica. Isto sem falar na vantagem psicológica que os indivíduos privilegiados que podem se expressar na sua língua materna sem medo de errar ao passo que os indivíduos que são obrigados a falar numa língua que não é a sua língua materna têm, logicamente, um certo receio de se expressar em uma língua que não é a nativa do falante.
A atual política lingüística mundial (baseada exclusivamente nos idiomas nacionais) é antidemocrática e está baseada na “lei do mais forte”: quem detêm a hegemonia econômica impõe a língua. É também uma política que levanta obstáculos de expressão, comunicação e associação. Este assunto foi muito debatido em 1980 em Stokholmo por 1800 participantes de 51 países por ocasião do 65o Congresso Mundial de Esperanto que chegou à seguinte conclusão:
“1 O problema da discriminação lingüística está intimamente ligado a outras espécies de discriminações, e estes tipos de discriminações têm suas dimensões lingüísticas.
2 Entretanto também a discriminação lingüística é claramente distinguível como um problema à parte, que é freqüentemente confundida com discriminação racial ou étnica, mas efetivamente têm suas características únicas.
3 Ocorre discriminação lingüística se de dois grupos que têm línguas diferentes, o primeiro grupo deve aprender a língua do segundo, mas o segundo grupo não deve aprender a língua do primeiro.
4 Lingüisticamente discriminados podem ser não apenas grupos lingüísticos minoritários dentro de um mesmo país, mas também num quadro mundial, as nações e estados independentes.
5 Discriminação lingüística pratica aquele que pratica a sua própria língua também para todos os contatos com falantes de outras línguas, obrigando-os assim a usar sua língua.
6 Discriminação lingüística sofre aquele que é obrigado por um outro povo a usar sua língua em definidas esferas da vida (por exemplo, na educação , na profissão, em contatos internacionais)
7 Discriminação lingüística entre países manifesta-se na política interna de organizações internacionais, que favorecem algumas línguas nacionais como línguas de trabalho ( e consequentemente favorecem alguns países em detrimento à outros) e desta maneira excluindo algumas línguas, freqüentemente as línguas dos países menos fortes.”
É necessária uma conscientização da necessidade de uma nova política lingüística baseada no respeito e na igualdade, e através do uso de uma língua internacional que não se identifique com nenhum Estado ou Nação. Neste sentido, o lingüista Edward Sapir afirma que as línguas nacionais são enormes interesses capitalizados que resistem em uma hostilidade surda à qualquer inquérito ou devassa. Sapir também afirma que a atitude de independência em face de uma língua artificial que falantes de todas as línguas adotem(como uma Segunda língua, ao lado da língua nacional) é em verdade uma grande vantagem, porque concorre para o homem se sentir dono da língua ao invés de seu escravo e que o acatamento a uma forma de expressão que não se identifica com nenhuma unidade nacional provavelmente há de ser um dos mais poderosos símbolos da liberdade do espírito humano, que o mundo jamais conheceu.
É necessário uma conscientização que os direitos lingüísticos fazem parte dos direitos humanos e atentar para o papel significativo que o esperanto Língua Internacional, pode desempenhar para a eliminação da discriminação lingüística, e a intensificação da cooperação entre países de uma maneira democrática e igualitária, através de um bilingüísmo planejado de modo que a língua de cada indivíduo seja respeitada e incentivada o seu uso e havendo necessidade de um contato entre falantes de línguas diferentes seja usado um idioma sem nacionalidade. Os diversos países e organizações internacionais devem seriamente analisar o potencial que o idioma Esperanto proporciona como um recurso de comunicação internacional com o objetivo de seguir os princípios da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

A DESIGUALDADE LINGUÍSTICA NO MUNDO


Fortaleza, 03 de agosto de 2002

Como geralmente em todos os anos desde 1905, ocorre o assim denominado “Congresso Mundial de Esperanto”, o maior evento em Esperanto, onde se discutem os desafios enfrentados pela língua internacional. Neste ano, em Fortaleza, estiveram 1500 delegados de organizações de falantes do Esperanto de mais de 60 países, que animadamente discutiram – sem intérpretes e sem o inglês – a ameaça de uma catástrofe lingüística neste início do século 21: cerca de 90 % das 6.000 línguas faladas, ao que parece, não sobreviverão neste século. Por ocasião do congresso, o presidente da Associação Mundial de Esperanto, Renato Corsetti, professor de lingüística da Universidade de Roma alertou sobre os custos sociais e econômicos para o Brasil e para a América Latina referentes à desigualdade lingüística.

SOBRE A IGUALDADE LINGÜÍSTICA:
A desigualdade lingüística proporciona grandes lucros a determinados países e grupos sociais. Os brasileiros, entretanto não começaram a calcular os custos sociais e econômicos causados pela desigualdade lingüística nos mais variados campos como, por exemplo, nos meios de comunicação, na exploração científica, na educação e no comércio.
Devido à desigualdade lingüística pelo mundo, uma língua morre a cada duas semanas. Se não houver uma mudança radical na política lingüística, cerca de 90% das 6.000 línguas do mundo não mais serão faladas nos próximos 100 anos. Nunca na história da humanidade desapareceram tantas línguas. Na África, 600 das 1.400 línguas estão ameaçadas de desaparecer devido à pressão das “grandes” línguas. Apenas 20 línguas na Austrália ainda sobrevivem das 250 línguas faladas no final do século 18. Na Índia, colônia britânica durante séculos, a desigualdade lingüística ainda esmaga as mais de 1.600 línguas nacionais. Depois de mais de 50 anos da independência, o inglês permanece como a língua do poder, mas falada por menos de 2% da população. Depois do inglês, é o idioma hindu, que conjuntamente comprimem outros 18 idiomas “grandes”, 400 outros “catalogados” e um impreciso número de outros idiomas. Em muitos países da América do Sul, temos a impressão que os governos estão esperando que os 275 idiomas “não oficiais” desapareçam antes que eles se tornem idiomas de ensino oficiais. Hoje, no Brasil, uma longa lista de idiomas do ACROÁ ao YABAÂNA não são mais falados. Será que em breve outros idiomas como o AMANAYÉ e o YAWANAWA também não serão mais ouvidos?
Ao mesmo tempo, e também principalmente devido à desigualdade lingüística, mais de 1 bilhão de pessoas no mundo gastam cerca de 50 bilhões de dólares para aprenderem a língua mais poderosa do mundo, o inglês. Apesar deste sucesso econômico, o British Council, por exemplo, ainda se preocupa com a decrescente queda de arrecadação no ensino do idioma inglês em diversos países. Os habitantes do norte da Europa conhecem tão bem o inglês que cada vez mais diminui a presença deles entre as 700.000 pessoas que anualmente, pagam para fazer um curso de inglês na Inglaterra. Saibam que em média, os estudantes que fazem um curso básico de inglês, permanecem 30 dias na Inglaterra e gastam em média 200 euros. O British Council calcula uma receita de quase 100 milhões de euros dos países da América Latina graças às 24.000 “visitas” para cursos de inglês e uma tendência de despesas duas vezes mais alta dos habitantes destes países. Também no Brasil, empresas inglesas e norte-americanas esperam “vender” mais cursos de inglês. Durante a crise econômica, a concorrência no mercado de trabalho favoravelmente age sobre conhecimentos “necessários” como o do inglês e faz do Brasil um excelente mercado para o idioma inglês. Quanto o Brasil paga para aprender inglês, não se sabe exatamente, devido à falta de boas estatísticas.
O Brasil ainda paga às universidades de fala inglesa. Dos 550.000 estudantes estrangeiros durante o último ano letivo das universidades de fala inglesa, 64.000 eram da América Latina. Entre eles quase 9.000 brasileiros.
Logicamente os brasileiros são ambiciosos e alvejam o mercado de trabalho nos Estados Unidos. Logicamente o sistema de educação brasileiro prepara um pequeno exército dos mais talentosos estudantes para os Estados Unidos. Para provar aos futuros patrões um conhecimento quase que “de nascença” do inglês e o domínio de “modernos” métodos de trabalho, um ambicioso brasileiro precisa de um diploma de uma universidade de fala inglesa.
A adoção do inglês, como língua de ensino na América Latina absolutamente não “reequilibra” a desigualdade entre sistemas educativos de países de fala inglesa e a América Latina. É tão mercantil o sistema comercial norte-americano no Brasil que os pais e estudantes preferem universidades e países “verdadeiros” de fala inglesa. Mesmo que se a América Latina ou o Brasil tenham boas universidades, elas perdem continuamente mais de 70.000 estudantes para os paises de fala inglesa. Estudantes estrangeiros são grande fonte de riqueza. Cada um anualmente paga cerca de 25.000 dólares para moradia, mensalidades e despesas escolares em países como os Estados Unidos, Inglaterra e Austrália. Assim, eles ao mesmo tempo sugam talentosos estudantes e recursos do sistema de educação do Brasil.
Tão lucrativa é a “indústria da educação” em fala inglesa, que a Nova Zelândia, por exemplo, introduziu um imposto específico que incide sobre os cursos. Graças a esta indústria, os Estados-Unidos arrecadou cerca de 12,3 bilhões de dólares. Trata-se de uma evasão de riquezas dos países de língua não inglesa e por isto que norte-americanos e ingleses, pelo fato de não conhecerem outras línguas, muito raramente estudam no exterior. Também o grave é a perda de talentos, como mostra o estudo da OECD; “The Mobility of Highly-skilled Workers”, publicado em janeiro de 2002. Os mais talentosos estudantes estrangeiros na Austrália, Estados Unidos e Inglaterra recebem propostas de trabalho e assim, são perdidos, freqüentemente durante décadas sem ajudar na evolução social e econômica de seus países de origem. Esta perda de talentos mundiais, que o Brasil também sofre é conseqüência direta da dominância do idioma inglês.
Apesar destes imensos investimentos pessoais dos brasileiros no idioma inglês, organizações e empresas internacionais discriminam aqueles que não falam o inglês perfeitamente ou “de nascença”. Para as organizações internacionais nas quais o Brasil também é membro, não mais se reclama devido aos constantes anúncios de empregos para falantes “de nascença” do inglês. Não se trata de exigir um “conhecimento excelente” ou “perfeito domínio” de uma língua, mas de sua origem social ou nacional: mesmo que você fale excelentemente, perfeitamente e quase sem erros o inglês, você não seria aceito nestes empregos. Durante os últimos anos, a Associação Mundial de Esperanto selecionou mais de 500 ofertas de empregos destinadas apenas para falantes “de nascença” do idioma inglês. A discriminação lingüística feita por firmas e organizações – e também pela Organização Internacional do Trabalho, pelo Alto Comissário para os Direitos Humanos da ONU , pela Organização Mundial do Turismo, pela Organização Mundial da Saúde e por outras organizações das Nações Unidas, indicam uma das mais graves violações às outras línguas; esta desvalorização social e econômica pelo mundo em virtude da desigualdade lingüística. Até mesmo uma empresa no Brasil começa a preferir apenas aquelas pessoas que falam bem o inglês, os candidatos que estudaram em escolas e universidades de fala inglesa e que por isto, quase que perfeitamente dominam o inglês. Pelo mundo, o custo da desigualdade lingüística é visível em muitos outros campos. Faltam estatísticas sobre muitos países. Infelizmente, a maior parte dos governos e também os governos do Brasil, preferem pagar bilhões para ensinar o inglês para as crianças e para os funcionários públicos a colher seriamente estatísticas sobre a desigualdade lingüística nas mais diversas indústrias e especialidades. Peguem o caso da indústria do cinema e da televisão. No último ano, os 20 filmes mais vistos nos cinemas do mundo foram norte-americanos ou produzidos em conjunto com norte-americanos. Em escala européia, os ainda lingüisticamente orgulhosos países de fala não inglesa da União Européia compraram 10 bilhões de euros mais de filmes, seriados de televisão, vídeos e outros produtos de áudio e vídeo em inglês do que eles venderam para a Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Inglaterra e Estados Unidos. Nos paises da União Européia de fala não inglesa, mais de 75% das emissões televisivas e filmes são produzidos em países de fala inglesa. O inglês, então, efetivamente exterminou a indústria cinematográfica comercial em muitos países. Vocês poderão rir, pois já se acostumaram com a falta da indústria cinematográfica nacional. Saibam que há apenas 30 anos, no meu país, a Itália, a gente se orgulhava da então florescente indústria cinematográfica italiana. No último ano, apenas cinco dos 20 filmes mais vistos na Itália não eram norte-americanos.
Através dos meios de comunicação, o inglês tanto pressiona que agora é possível notar uma rápida mudança até nas mais usadas palavras de nossas línguas. Na França se fala em “e-mails”, “weekend”, e não “courriel” ou “fin de semaine”. Na Alemanha os jovens são “cool” e certamente não “lässing”. No Brasil os clientes do banco usam o “cash dispenser” e não o caixa eletrônico. Esta dominação cultural – e não se trata de “enriquecimento recíproco” - se evidencia no fato de que hoje, o inglês cada vez menos incorpora palavra de outras “línguas grandes” como o espanhol, o alemão ou o francês. O crescente uso de palavras inglesas em outras línguas não incomoda apenas lingüistas puristas. Isto é uma indicação confiável do grau de desigualdade lingüística nos mais variados setores. Devido à pressão do inglês, por exemplo, o ensino em inglês substitui ensinos nos idiomas nacionais em universidades pelo mundo. A Malásia e Indonésia, depois de promoverem e zelarem pelos seus idiomas nacionais durante anos, não mais ensinarão disciplinas científicas em idiomas nacionais, mas apenas em inglês.
Apesar de tais evidentes custos do idioma inglês, falar sobre igualdade lingüística é um tema difícil. Os políticos publicamente “lutam” apenas em prol da própria língua e muito freqüentemente contra outras “pequenas” línguas. Sem raciocinar, as elites brasileiras adotam o inglês em diversos setores, e silenciosamente ou em voz alta acusam os defensores de outras línguas de serem nacionalistas. Quando se fala sobre idiomas, prefere-se ao que parece, uma linguagem militar de “batalha para defender o português” ou de “contra-ataque do português”. Entretanto, nunca foi tão necessária uma política lingüística com base na igualdade de todas as línguas e seus falantes. Nunca foi tão necessária a concreta ação de cidadãos e políticos pelo mundo por um sentimento de solidariedade lingüística. Infelizmente, hoje em todo lugar prevalece a concorrência daqueles indivíduos que melhor dominam o inglês, em detrimento daqueles que “apenas” sabem falar outras “línguas pequenas”. E no interior do país, o português devora a diversidade lingüística*.
Sem uma política lingüística consciente e ativa, o mundo caminhará para uma sociedade separada, de um lado, por uma elite que perfeitamente, de maneira excelente ou “de nascença”, domina o inglês e de outro lado dos outros, que sabem falar as outras línguas. Nesta procura por uma igualdade lingüística, fácil de ser aprendida, uma língua não étnica como o centenário Esperanto certamente auxiliaria. Entretanto, apenas o respeito à diversidade e igualdade lingüística garantirá o futuro de nossas 6.000 línguas e a igualdade de tais falantes. Sem tal respeito às línguas, verdadeiro e diário – e não com os discursos eloqüentes - os cidadãos do mundo enfrentarão séculos de discriminação lingüística. Tenhamos a coragem de dizer que as pessoas têm direitos iguais, e suas línguas também têm valores iguais. Afirmemos que a desigualdade lingüística é não apenas artificial como também uma justificativa da desigualdade.

Renato Corsetti
presidente da UEA (Associação Mundial de Esperanto)
(www.uea.org)

Traduzido por João Manoel Aguilera Junior, delegado da UEA no Brasil do texto escrito originalmente em esperanto.

*Nota do tradutor: o autor se refere ao fato que as línguas indígenas no Brasil estão desaparecendo devido á pressão do português.